segunda-feira, dezembro 22, 2003

:: natal? ::

Eu acho que sou uma das pessoas mais perdidas no tempo que existem. Agora há pouco estava comentando com ele que dia 25 eu vou pra Caraguá pra encontrá-la. Aí falei algo do tipo "ah, quarta feira eu tô lá". E ele, pra variar, me corrigiu: "quinta, né? 25 é quinta".

Não fico surpreso... todo final de ano é assim. Eu, perdidão.

Esse é um diálogo freqüente em casa:
- Leandro, desce pra comer.
- Mãe, já é quase meia noite!!
- Sim, por isso mesmo. Desce, seus primos chegaram.
- Pô, eu já coloquei o pijama!
- PIJAMA?? Leandro, hoje é Natal!!!
- Natal?
- É, Natal!!!
- Ah é?
- É. Dá isso aqui pro seu primo. Finge que foi você que escolheu. Troca de roupa e desce, vai.
- Tá. (droga... odeio natal!)

Eu sempre me esquecia do dia do natal... aliás, hoje em dia eu raramente lembro, também.

Ah, eu ficava cabreiro quando via minha tia chegando com um monte de mala de viagem. Eu tinha certeza que aquilo tudo era roupa usada do meu primo pra eu experimentar. E eu tinha que experimentar TODAS, uma por uma. Ah, como eu adorava aquilo... não via a hora da minha tia chegar com aquele mundo de roupa amassada e brega de presente. Não achava isso de todo mal, mas considerar que isso é presente de natal é muita sacanagem. De vez em quando ela me trazia um daqueles carrinhos de controle remoto que o controle só tem um botão. Sabem aqueles que quanto você aperta, fazem uma curva, e quando você solta, ele fica rodando de ré? Então. Perdi a conta de quantos daquele eu tive. Ah, como eu odiava ganhar isso. Pior que isso era os brinquedos claramente 'made in paraguai y importado por feirantes muambeiros'. Nada contra feirantes muambeiros, minha avó trabalha na feira já faz mais de 30 anos e não larga a profissão dela por nada. Mas dar espingardinhas que atiram aqueles mini-desentupidores de pia através de um mecanismo com mola no natal é foda.

Aliás, ganhar roupa no natal pra uma criança de 10 anos é a pior coisa que tem. Nem me lembro quando ela abandonou essa terrível prática, mas lembro que aos 14 anos isso já não acontecia mais. Ainda bem que meu primo cresceu BEM mais que eu. As roupas dele não servem mais em mim. Só se fizesse um bom trabalho em um alfaiate pra diminuir o tamanho das pernas e dos braços, mas iria sair mais caro que comprar roupas novas.

Esse ano eu vou passar o natal na casa da minha mãe e minha tia vai... só de lembrar da imagem dela com as malas na mão já me dá calafrios.
Mas ela é boa pessoa... ela não faz por mal. Coitada. Só queria poupar a minha mãe de comprar roupas.

Ah, faça-me o favor.
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Incrível como escrever esse post foi reconfortante e animador. Estava num mal humor danado, o qual me abala todo final de ano. É, acho que encontrei a causa-mor dele.

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