segunda-feira, junho 23, 2008

Ainda espero estar sonhando, espero que logo mais meu pai venha me acordar desse pesadelo e tudo volte ao normal. Espero que eu ainda possa visitar minha avó na feira de sábado de manhã. Espero ainda poder receber cartinhas dela no meu aniversário. Mas sei que essas esperanças são diferentes: elas não se farão verdade. Isso nao foi um sonho. É a dura e cruel realidade.

80 anos de vida, 80 anos de sofrimento e luta. 80 anos de coragem, trabalho e suor. 80 anos de amor a família, à Igreja, à vida. E, de minha parte, 22 anos de lembranças alegres. 22 anos de amor, companheirismo e certeza de que sempre que eu precisasse, ela ali estaria com um sorriso a me esperar.

Minha avó se foi, mas um pedacinho dela fica em cada um de nós. Cada gesto, cada palavra, cada lembrança será a certeza de que sua vida neste mundo ainda não acabou. Minha avó é imortal, ainda que tenha partido. E espero ter a mesma força com que ela lutou silenciosamente nos últimos 8 meses contra o câncer que a levou pra sempre.

A lembrança que tenho da minha avó é a herança que ela me deixou: um rosto sempre dotado com um sorriso.

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