sexta-feira, outubro 31, 2008

The beauty of nature


One of the thousands of very beautiful things I saw during the research trip the last 5 days to Vale do Ribeira. Isn't it something we can't help falling in love?

domingo, outubro 26, 2008

Hoje, o legal é ser de direita

A frase do título foi dita por Chico Buarque em uma entrevista à Folha de São Paulo há algum tempo. Segundo ele, no tempo da sua juventude, todo mundo era de esquerda. Ser de direita era algo inconcebível.

Hoje a coisa mudou. Proliferam jovens malufistas, tucanos, pefelistas, cresce o movimento separatista (relembrando 32), cresce o número daqueles que acham que a o legal, mesmo, é ser de direita.

Foi-se o tempo em que as pessoas pensavam em São Paulo como uma cidade. Hoje, pensam nela como seu quintal, que podem sujar, que podem expulsar quem acham que não deveria estar ali "invadindo", podem guardar seus automóveis particulares, enfim. Perdeu-se a noção do "público".

Os interesses particulares sobresaem e dessa forma a cidade vai se tornando cada vez mais inóspita e selvagem. Cada vez menos acolhedora e convidativa. As ruas se tornam meras passagens de carros. As calçadas, estacionamento. O convívio social é suficiente via orkut.

O espaço público deixou de ser público. Tornou-se propriedade dos marginais e bandidos. Tornou-se espaço dos foras-da-lei. Tornou-se oficina dos mau intencionados. Porque? Justamente pelo fato de as pessoas de bem não se apropriarem dele. Ah, quanta diferença há no Parque da Luz entre uma terça feira vazia e um sábado cheio! Na terça feira, o parque é um reduto de prostitutas, trombadinhas e outras escórias. No sábado, torna-se um local cheio de famílias, crianças e outras tribos que gostaria de ver todos os dias ali.

Como são irritantes os alienadinhos que dizem "ah, não voto na Marta porque não gosto do PT". Quando se pergunta "mas porque você não gosta do PT?", a resposta é padrão "ah, não sei. não gosto". Eu sei. Porque o PT sempre defendeu os mais pobres, quando esteve no governo, enfrentou interesses dos mais ricos pra implantar políticas de inclusão social, educação na periferia e transporte público de superfície de qualidade. Porque o PT tem na figura do Lula um verdadeiro político, aquele que veio do povo (não de famílias de grife, como o ACM Neto na Bahia), aquele que conhece de fato a realidade do país, aquele que, quando chegou lá, fez o que deve ser feito.

Quem não precisa do Estado pra viver que não o impeça de ajudar aqueles que precisam.

Não podemos deixar a direita tomar conta da cidade por inércia, só porque há preconceito com a esquerda. E é preconceito strictu sensu, pois não se tem motivo pra criticar se não se conhece o objeto da crítica ("ah, não sei, não gosto"). Não critico aqui aqueles que são direita por opção partidária e sabem bem porque são. Critico aqui apenas aqueles que são direita "porque todo mundo lá em casa é" ou "porque não gosto do PT, não sei porque".

A direita critica muito a esquerda dizendo que, em sua maioria, são "pseudo-esquerdistas que só porque estão na Universidade acham que devem ser de esquerda". Isso existe muito, de fato (vide PCO, PSTU, PSol e outros partidos que só existem na USP, esquerdas da esquerda que são oposição até a si próprios). Mas o fenômeno que a gente mais observa hoje é justamente o contrário. Gente que acha que ser de direita "é ser legal, porque eu quero ter mais que todo mundo". Ou gente que é de direita "porque a esquerda não presta" mas não sabe falar porque. Ou, ainda, gente que lê uma matéria falando de que a Marta "roubou mais que o Pitta" na Folha de S. Paulo, acredita nela, e não se dá ao trabalho de ler no dia seguinte um pedido de desculpas do jornal dizendo que a matéria estava errada.

É incompreensível essa onda de direita. É pior ainda ver que esses neo-direitistas são justamente os filhos daqueles que mais sofreram com a direita e seus governos no país. São os filhos de torturados da ditadura, filhos de retirantes, filhos de imigrantes foragidos das guerras e dos genocídios da Europa. Hoje, em São Paulo, eles são a direita. Eles são exatamente os algozes dos seus antepassados. Será que não vêem isso?

Hoje estão ocorrendo as eleições. Segundo turno. Marta x Kassab. PT x DEM. Esquerda x Direita. Tudo indica que o filhote do Maluf com o PFL, neto do Arena e da Ditadura vai levar. E lá vamos nós pra mais quatro anos de descaso com a população pobre, incentivo ao uso de serviços privados, sucateamento do ensino e transporte públicos. Qual será a primeira medida do novo governo? Mais paredes anti-mendigo? Expulsar os nordestinos? Juntar todos os pobres num galpão e botar fogo? Vindo do Kassab, nunca se sabe.

Sabe o que mais irrita? O ar de superioridade dos direitistas. Isso é o que mais mata. Aquele olhar de cima, o nariz empinado, como quem diz "eu sou de direita, eu sou melhor que você. Se você quer ser de esquerda, coloca um monte de pobre no seu apartamento pra morar com você". Só pelo salto alto deveriam cair e se quebrar um pouquinho, pra aprender a descer do salto e olhar pra onde anda.

Ah, os neoliberais de direita nos EUA tão se ferrando, né? Pois é. Será que isso não ensina nada pra nossa direitinha no Brasil? Acho que não. Estão muito ocupados a se olhar no espelho e exclamar como eles são fodas e bonitos e inteligentes porque são da direita.

É triste. Estão brincando com minha cidade.

quinta-feira, outubro 09, 2008

causo

Não, não dá pé.

Ah, dá sim, e outra, eu sei nadar.

Não dá, moleque.

Dá sim!!

Tá bom, vai lá, então. Eu não vou te socorrer. Aliás, eu vou dar risada.

Ah, mas fica aqui perto.

Não. Vai lá. Sozinho.

Tá bom.

...

...

Ei...

...

Ai!

AAAAARGH....

MOLEQUE! FALEI QUE NÃO DAVA PÉ!!!

aaaaahhhh... gasp... golf... cof.. cof...

MOLEQUE DESGRAÇADO!

desculpa...

M.A.G.

Courage has risen from the deepest place
The Earth was blessed with such kindness and bravery
Humanity has seen the history of life
And the heavens were here, down with the mortals

There´s no bad weather, there´s no false truth
No one could take her from her faith
No one could take her from her duty
A whole life to build a myth

She came from above, and she came for good
The sun as a guard and the moon as a shelter
The stars were the company, the cold couldn´t hurt her
A strong heart, a warm soul, a friendly smile

Earth has lost a huge heroin
But has won a great myth
No one will ever be who she was
No one will ever know someone like her

We´ve learnt a lot from her acts
We´ve smiled and kissed
We were never alone when she was around
And we´ll never forget what she teached.

é aquele rapaz

Por trás da calma e paciência de alguém pode estar reprimido um
sentimento de angústia e desolamento que são por vezes externados em
situações nem tanto propícias. Talvez por isso nosso colega não consegue
mostrar seus sentimentos de uma forma sincera. Talvez por isso nosso
colega sinta que não tem os devidos sentimentos que pensa que deveria
ter. Talvez seja por essa razão que nosso colega nunca chora (em
público). Ele fica ali, isolado, em seu mundo, fechado em sua bolha
sentimental à qual não dá acesso a rigorosamente ninguém. Ele está bem
assim, não quer ser incomodado. Nada lhe atinge de fora, nada lhe causa
temor, nada lhe causa fervor. Está fechado a sentimentos naturais, a
euforias coletivas, a transes psíquicos não causados por substâncias
perturbadoras do sistema nervoso central. Sente-se só, sem apoio, sem
carinho. Por mais que as evidências exteriores mostrem o contrário, como
disse, o exterior é isolado do interior dessa bolha, que mantém-se fria,
imóvel, imutável, imune. Ele quer sair, mas no fundo quer mais ficar
ali. É cômodo não ser incomodado. É dentro dessa bolha que ele vê a vida
passar, que ele não vê o efeito do tempo, que ele sente sua incompletez,
que ele não sente do jeito como gostaria de sentir.

Sente-se ali, vazio e completo por sua angústia. Passa os dias ausente,
apesar de presente em corpo. Diverte-se, mas não como deveria. Sorri,
chora, ama, mas não da maneira como gostaria. A intensidade acabou para
esse rapaz. A externalização de sentimentos uma vez tão bem
protagonizada por ele próprio parece que tomou seu rumo em direção a um
lugar inatingível por sua mente e alma. Por vezes, no entanto, ela volta
em uma extrema intensidade, causando contratempos que em situações
normais a aparente calma reinaria soberana. A explosão repentina de
sentimentos reprimidos leva a dor aonde deveria haver compaixão; o
sofrimento aonde deveria haver paciência; desprezo aonde deveria haver
amor. E, em um instante, passa. Volta-se ao seu próprio mundo,
tornando-se novamente aquela pessoa calma, paciente, compassiva.
Novamente os sentimentos iniciam sua sedimentação no interior da bolha,
recriada dessa vez ainda mais forte, para um dia, novamente, uma
avalanche de maus agouros ser disparada contra seus arredores, atingindo
pessoas queridas e outras nem tão queridas da mesma maneira.

Falta-lhe apoio. De todas as partes, falta-lhe apoio, atenção... e
algumas palavras de conforto. Não pode reclamar da vida, mas o contrário
pode ocorrer. Falta-lhe coragem para encará-la com personalidade.
Falta-lhe empenho. Talvez falte motivação. Falta-lhe aquilo que não deve
faltar nunca: alegria. Desistiu de buscá-la por seus próprios meios,
perdeu a melhor oportunidade para tal. Ainda existe um lampejo de
esperança que as coisas mudem, mas a determinação já não é a mesma de
quatro ou cinco anos atrás. Sente que não será tarefa fácil vencer seu
próprio medo e deixar completamente a bolha, para sempre. Mas, por
vezes, sua vontade de sair de lá extrapola todo o resto e comete algumas
loucuras. É nisso que baseia sua esperança. É isso que pode salvá-lo da
bolha. É aí que reside a esperança, a determinação e a intensidade do
viver deste rapaz. E é aí que ele trabalhará pelo resto de sua existência!

(05/07/2006)