sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Sobre veteranos e bixos

Passar no vestibular é um momento único, motivo de festa e de alegria.

Entrar na faculdade e ser recebido com festa é a coisa que a gente mais pensa.

Mas a relação veterano-bixo está indo longe demais. Quem disse que o veterano tem autoridade sobre o bixo? Quem disse que o veterano pode dar ordens aos bixos como se eles fossem seus escravos?

O Bixo é uma pessoa, como qualquer outra, e, portanto, deve ser respeitada como tal. Não é da atribuição do veterano dar ordens e esperar que elas sejam cumpridas sem objeções. Não há relação alguma de patronato, tampouco de escravatura entre um bixo e um veterano.

Deve haver respeito.

E é isso que me emputece hoje: veteranos que acham que são patrões dos bixos. Eles que se fodam, que tomem no olho dos seus respectivos cús.

E é isso.

Debate: Criacionismo x Darwinismo

No debate: Mário de Pina, tive aula com ele de Sistemática e Biogeografia em 2007. Diretor do Museu de Zoologia da USP. Defensor de Darwin.
Naor de Souza Júnior, geólogo, criacionista.

Sobre os corneteiros

Poucas coisas me deixam tão nervoso quanto os corneteiros de plantão no estádio.

Acabei de voltar do jogo São Paulo x Oeste, válido pelo campeonatinho Paulista, e vi um São Paulo apático contra um Oeste que não queria jogo. Mas, mesmo apático, o Tricolor buscava o gol. Mas, com o Oeste recuadíssimo não tinha como.

Aí vêm os gritos da turma do Amendoim.

“Porra, não ganha desse time, vai ganhar de quem?”

“Porra, Washington! Vai ser ruim assim na casa do caralho!”

“Vai tomar sacode na Libertadores!”

E daí pra baixo.

Meu, quer o bem do time, tudo bem. Agora, ir ao estádio pra vaiar ainda no primeiro tempo de um joguinho de merda contra um time que vai pra defender?

Daí sai o primeiro gol, de Washington.

O senhor que mais cornetava não moveu um músculo.

Parece mesmo que esse povo só vai pra torcer contra.

Segundo tempo, a mesma coisa.

“Um a zero tá bom, né? Bando de perna de pau!”

“Um a zero com esse timeco aí vai ganhar de quem?”

Sai dois a zero com André Dias e três a zero com Hernanes, em jogada sensacional de Jean.

E os corneteiros não movem um músculo.

Que tipo de torcedor é esse? Se é o preço pra ter pouco menos de 5 mil torcedores em uma quinta feira à noite, prefiro que vá ao estádio só aqueles que estão a fim de apoiar incondicionalmente, assim como eu faço.

Porque se é esse o tipo de torcedor que estão atraindo, prefiro que não atraiam nenhum e ganhem dinheiro só com PPV.

À merda com os cornetas! Viva à verdadeira torcida sãopaulina!

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Tudo é divino, tudo é maravilhoso.

Não acredite nisso, não, tudo muda e com toda razão.

Mas sei que tudo é proibido. Aliás, eu queria dizer que tudo é permitido até beijar você no escuro do cinema, quando ninguém nos vê.

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve. Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras, são navalhas, e eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém.

A vida realmente é diferente, quer dizer, a vida é muito pior.

Eu sou apenas o cantor.

Mas sei que nada é divino, nada, nada é maravilhoso, nada, nada é sagrado, nada, nada é misterioso…

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Vegetarianismo?

Sou completamente a favor de mosquitos, pernilongos e borrachudos vegetarianos.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Nada, nada mais natural.

Sou uma pessoa muito estranha. Não estranha no sentido de ser esquisito, mas no sentido de não conhecer. Dificilmente me sinto à vontade em algum lugar com mais de três pessoas que não conheço muito bem ou não costumo conversar. Ultimamente isso vem acontecendo com freqüência, uma vez que nas festas da Biologia nem sempre estão as pessoas com quem eu me relaciono melhor.

Sinto-me estranho em quase todas as situações ali, um sentimento de não ser conhecido, apesar de estar ali todos os dias e já tê-los visto a todos em diversas oportunidades, inclusive já tendo conversado com a grande maioria deles pelo menos uma vez.

As pessoas são diferentes, mas todas têm algo em comum. Não sinto compartilhar esse algo em comum com quase ninguém. Não que isso seja ruim ou motivo de preocupação ou tristeza, mas é algo de que eu me dei conta há pouco.

Percebi isso ao rever velhos amigos, lá mesmo na USP. Como eu me sinto bem com essas companhias… há tempos eu não me sentia tão confortável ali. Acho que é tudo uma questão de interesses. Não divido os meus interesses com os que freqüentam o CA. Eles estão fechados em grupos – e não os culpo por isso, estão bem como estão. Mas não sou muito fã dali.

Amizade e coleguismo são cousas que não pensamos muito no dia-a-dia, mas de vez em quando nos deparamos com essa situação. Colegas, tenho milhões. Amigos, alguns. E é com essa última categoria que me sinto bem. Não é natural?

É, nada mais natural.

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Federico Aubele – En Cada Lugar

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Mares nunca d’antes navegados…

Tenho sido apresentado a diversos novos ritmos nos últimos meses. Tive a grata oportunidade de escutar o gênero Trip-hop, cujo representante foi Portishead. Um som sensual, que tem a estranha capacidade de causar prazer sexual nos ouvidos. O vocal feminino e a levada lenta com o ritmo bastante marcado foram as características que mais me atraíram nessa banda.

O segundo som que conheci foi o Tango. Já vinha querendo escutar essa pérola argentina há muito tempo, só não sabia por onde começar. Fui, então, apresentado a Astor Piazzolla. Que som, que som! Agora só me resta derivar para outros artistas (talvez esteja na hora de escutar Gardel). É um som empolgante em Allegro, sem deixar de ser pesado emocionalmente em Andante ou Piano, não menos sensual que o Trip-hop, mas de forma diferente. É um tanto mais brutal e tem uma carga de tristeza que torna o som bem mais profundo. É um som multi-propósito, que vai bem tanto em momentos românticos quanto em momentos de fossa. Os argentinos sabem sofrer, e o sofrimento é, talvez, o sentimento mais ambíguo do nosso universo. A fossa dói, mas há um certo prazer em senti-la, e é exatamente no Tango que eu encontrei a parte prazerosa da fossa. É como se o sofrimento tivesse sido centrifugado em laboratório e a parte boa, aliviante e renovadora da fossa tivesse sido separada e isolada em sua forma mais pura. Dá pra curtir uma boa tristeza – daquelas mais poéticas – ouvindo Tango.

O terceiro é um som eletrônico derivado do próprio Tango, o que, por hereditariedade, atribui a ele tudo aquilo que falei no parágrafo acima. É um lounge argentino, a banda chama Gotan Project. Elementos de Tango se juntam a uma batida eletrônica em Andante, o que deixa a coisa com uma pitada maior de sensualidade. E o vocal em espanhol é uma das coisas que me atraem em músicas; soma-se a isso o fato de ser uma voz feminina, esse som conseguiu me conquistar à primeira escutada.

Nunca tinha escutado coisa parecida, e essas novidades borbulhantes me inspiram a continuar em meus projetos de música. Ultimamente venho tentando compor sozinho, no PC, alguns sons em estilo Lounge. Essas três gratas surpresas da música me deram diversas idéias. Quem sabe não vem coisa por aí que eu possa fazer upload e mostrar pra todo mundo?

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Gotan Project – Notas

domingo, fevereiro 15, 2009

O ano começa antes do carnaval…

As aulas começam amanhã, uma semana antes do Carnaval e duas antes do que eu achava que iam começar. Preciso agora, então, separar minhas frações de tempo para as atividades que quero desenvolver esse semestre.

Eu sempre tento fazer isso e quase nunca dá certo, é muito difícil manter uma rotina quando não se tem horário pra acordar. Digo, algo que me obrigue, não a minha força de vontade.

Mas vamo lá, mais um ano!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Yesterday

All my troubles seemed so far away…

Why she had to go? I don’t know.

Love was such an easy game to play…

Now I long for yesterday.

Perdi o Radiohead…

Mas no Paul McCartney eu vou!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O Brother Where Art Thou?

A great soundtrack for a great movie. Leave it playing and enjoy.

E o retorno do investimento no amor?

Passou esse verão, outros passarão, eu passo.

Não era a primeira vez que desentendimentos como esses aconteciam. As brigas vão e vem, como ondas sonoras de uma sinfonia perfeitamente afinada. Mas dessa vez a coisa estava um pouco mais feia do que normalmente.

- Não acredito que você fez isso comigo. Não esperava isso de você.
- Não fiz nada de errado, você é que fica aumentando as pequenas coisas, fica guardando, e depois explode dessa forma!
- Você pensa que eu não vi? Pensa que eu não sei o que você estava fazendo? Pensa que eu sou boba?
- Não é isso! Definitivamente, não é isso!

A afinação estava em tom menor, a tensão era perceptível até pelo cheiro. O cristal parecia quebrado e não era hora de perguntar se aquele tubo de super-bonder ainda estava na geladeira…

- Aquela cena toda da margarina light foi tudo armado, né? Eu devia saber.
- Que tudo armado??? Como você pode falar uma coisa dessas?? E como você vai colocar uma coisa que já aconteceu há tanto tempo nessa discussão?? Eu não fiz nada de errado!! Quantas vezes vou ter que falar??
- Pra mim, basta uma. Não acredito em você, mais. O que eu vi não lhe dá mais créditos. Vou pra casa da minha mãe! E já contei até três!

Não havia como voltar atrás no erro. Ele sabia que não tinha sido assim tão grave, mas como convencê-la de sua percepção divergente? As razões dos nossos sentimentos nunca serão elucidadas pelo simples fato de que cada sentimento tem uma razão própria. Não são reprodutíveis em laboratório, tampouco podem ser mitigadas por algum composto ou substância neuro-ativa. O sentimento ali era raiva. E ela foi pra casa da mãe com a promessa de não voltar.

- Já peguei o cartão do meu advogado, ele vai entrar em contato para o nosso divórcio!
- Divórcio? Você está louca?? Como você joga tudo fora por causa disso? Olha, você tá se precipitando, hein?
- Precipitando uma ova! O que você fez, cara, não tem volta. E não adianta dizer que não fez, eu vi!!
- Meu deus, como eu vou fazer você entender que eu não tive a intenção de te magoar??
- Não teve a intenção, mas conseguiu. Meus parabéns. Adeus, até o tribunal!

É verdade que as coisas não iam lá muito bem há tempos. Apesar da proximidade física, eles estavam muito distantes um do outro, alguns diriam que milhares de quilômetros. Toda a rotina, que permanece a mesma há anos, a escassez de momentos mágicos, a paixão que já dava sinais de que a brasa não estava mais com tanta força… Tudo conspirava a favor de um tropeço de quaisquer dos lados. E, infelizmente, para ele, foi do lado dele. O erro em si não importa, já que para discutí-lo teríamos que tomar partido. O que realmente importa é que ele aconteceu. E, por ser fato consumado, não há como negar ou disfarçar as conseqüências.

As coisas caminhavam para um melancólico fim. Toda a história do casamento, as viagens, os planos de aposentadoria, o filho que teimava em não vir… tudo isso estava a caminho do baú sem misericórdia das memórias longínquas. E seria isso justo? Talvez não haja conceito de justiça quando se trata do amor a longo prazo. O que há, de fato, é o conceito de investimento pessoal na própria felicidade. O que, como todo investimento, envolve riscos e envolve custos de oportunidade – aquele custo de abrir mão de algo em favor de outra coisa. E qual teria sido o tamanho do prejuízo dessa aplicação?

A equação é complicada. Não é fácil administrar esses ativos, são muito difíceis de dimensionar. O cálculo da depreciação é inconstante, ano cresce, ano diminui… O valor de mercado do amor é tão instável quanto o barril de petróleo. Qual teria sido o preço pago? E qual o atual valor de revenda? Há mercado para isso? Será que eu devo realizar agora o prejuízo ou esperar os papéis subirem de novo pra conseguir recuperar o investimento? Será que estão perdendo há tanto tempo assim e não acordaram antes?

Mas que visão mais chata do amor, essa! Na cabeça dos dois os cálculos matemáticos deixaram de fazer sentido. A razão, nesse ponto, passou a dar lugar à emoção, aos instintos, àquilo que a gente sente. E, ainda que com muitas dúvidas a respeito do futuro desse investimento, passaram a perceber que erros acontecem dos dois lados. Outras vezes o erro foi do lado feminino, dessa vez foi do lado masculino.

O erro tinha sido grave. Mas não necessariamente o erro dele. O mais grave erro foi o erro coletivo, aquele que cometeram ao esquecer o amor e substituí-lo por colas artificiais que surgiram dos desdobramentos do relacionamento. Família, amigos, programas, lugares… Tudo aquilo que cria expectativa sobre duas pessoas há tanto tempo juntas.

Ela não ligou para o advogado. Mas as coisas não voltariam a ser como antes.

- Voltei. Não posso ficar sem você.
- Fico aliviado, mesmo. Sei que errei, mas sei também que o erro não….
- Shh… não fale mais nisso. Estou de volta, ficou pra trás, tá no passado. Nova vida daqui pra frente, tá? Exagerei, mesmo.
- Me dá um abraço.

Não se pode dizer que é um final feliz. Tampouco que é trágico. Talvez por não ser um fim, mas sim um contínuo de duas vidas que nos últimos anos seguem caminhos entrelaçados. Muitos pontos de convergência causam também muitos pontos de divergência. Seguem assim suas vidas, de onda em onda, não sabendo onde irão chegar, nem por onde irão caminhar.

A valsinha tocando no som da sala ameniza os ânimos exaltados e traz à tona a lembrança de um passado que parecia ter um futuro melhor pela frente. Por que não abraçar de novo esse futuro?

O futuro é algo inventado, não é? Então vamos inventar o nosso e ver no que dá.