terça-feira, fevereiro 17, 2009

Mares nunca d’antes navegados…

Tenho sido apresentado a diversos novos ritmos nos últimos meses. Tive a grata oportunidade de escutar o gênero Trip-hop, cujo representante foi Portishead. Um som sensual, que tem a estranha capacidade de causar prazer sexual nos ouvidos. O vocal feminino e a levada lenta com o ritmo bastante marcado foram as características que mais me atraíram nessa banda.

O segundo som que conheci foi o Tango. Já vinha querendo escutar essa pérola argentina há muito tempo, só não sabia por onde começar. Fui, então, apresentado a Astor Piazzolla. Que som, que som! Agora só me resta derivar para outros artistas (talvez esteja na hora de escutar Gardel). É um som empolgante em Allegro, sem deixar de ser pesado emocionalmente em Andante ou Piano, não menos sensual que o Trip-hop, mas de forma diferente. É um tanto mais brutal e tem uma carga de tristeza que torna o som bem mais profundo. É um som multi-propósito, que vai bem tanto em momentos românticos quanto em momentos de fossa. Os argentinos sabem sofrer, e o sofrimento é, talvez, o sentimento mais ambíguo do nosso universo. A fossa dói, mas há um certo prazer em senti-la, e é exatamente no Tango que eu encontrei a parte prazerosa da fossa. É como se o sofrimento tivesse sido centrifugado em laboratório e a parte boa, aliviante e renovadora da fossa tivesse sido separada e isolada em sua forma mais pura. Dá pra curtir uma boa tristeza – daquelas mais poéticas – ouvindo Tango.

O terceiro é um som eletrônico derivado do próprio Tango, o que, por hereditariedade, atribui a ele tudo aquilo que falei no parágrafo acima. É um lounge argentino, a banda chama Gotan Project. Elementos de Tango se juntam a uma batida eletrônica em Andante, o que deixa a coisa com uma pitada maior de sensualidade. E o vocal em espanhol é uma das coisas que me atraem em músicas; soma-se a isso o fato de ser uma voz feminina, esse som conseguiu me conquistar à primeira escutada.

Nunca tinha escutado coisa parecida, e essas novidades borbulhantes me inspiram a continuar em meus projetos de música. Ultimamente venho tentando compor sozinho, no PC, alguns sons em estilo Lounge. Essas três gratas surpresas da música me deram diversas idéias. Quem sabe não vem coisa por aí que eu possa fazer upload e mostrar pra todo mundo?

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Gotan Project – Notas

4 comentários:

Alex P. disse...

Eu conheci Portishead como um autêntico representante da "fuck music"....rs E isso condiz totalmente com o que você comentou.

Já ouvi bastante, mas hoje mal tenho paciência para eles...

Tango realmente é muito foda. Eu não conheço quase nada disso, mas as coisas que tenho também me passam essa impressão de ambiguidade. Fora que a dança, além de difícil, exige um "ki" bem autêntico dos parceiros... já ouvi falar disso também. rs

Leandro Gonçalves disse...

É, realmente, é um som que cansa. Eu mesmo escrevi isso ontem, e nem estou escutando mais tanto eles assim. Tanto é que me limitei a poucas linhas...
Agora, o tango e os projetos que adicionam componentes eletrônicos a ele são sensacionais. Sinto que descobri uma mina de ouro cultural ao escutar as canções de Astor Piazzolla, Carlos Gardel, Gotan Project, Federico Aubele, entre tantos outros que ainda vou ter meu primeiro contato nos próximos dias.
A música latina em geral é riquíssima. O próximo passo é conhecer os cubanos. Começo pelo Buena Vista, e daí aos arredores.

Alex P. disse...

Então um dia você vai chegar no supra sumo da música: o jazz !!!!

Leandro Gonçalves disse...

O jazz já é velho conhecido deste blogueiro! Afinal, sou saxofonista, o jazz é a razão do meu instrumento!
Apesar de achar a bossa nova superior, o jazz é o supra-sumo da música, sim.
Ah, às vezes eu acho que tomei o caminho inverso... o jazz já me acompanha há uns anos...