sexta-feira, maio 15, 2009

Pra escrever na internet é preciso assumir uma personagem?

Fiz essa pergunta no twitter e ninguém soube apontar com precisão se é de fato necessário. Mas a motivação da questão vem da observação do meu próprio passado como blogueiro e escritor esporádico de contos e poesias.

Foi assumindo uma personagem que eu tive o auge do blog. Que eu mais escrevia por aqui, por ali e por acolá. Que eu tinha centenas de visitas diárias e eu tinha um caminho a seguir nos textos (ainda que de uma linha ou duas, cheios de erros de grafia e concordância).

A partir do momento em que esse blog se tornou meramente um diário, uma agenda, perdi a personagem e o interesse pelo que escrevo diminuiu. Não foi uma mudança brusca e pensada. Foi simplesmente o autor que foi crescendo, mudando, dando cada vez menos importância à popularidade na internet.

Mas mesmo nessas mudanças fiz escolhas por personagens. Ora eu era o que sofre por amor, ora eu era o apaixonado, ora eu era o revoltado. Sempre personagens. O que eu escrevo por aqui não é necessariamente o que eu sinto. Quer dizer, é, mas por aqui as coisas aparecem maiores ou menores do que realmente são.

Eu acredito que não dá pra escrever na internet sem ter uma personagem pra se guiar. Nem sempre é pensado, nem sempre é planejado. Ninguém é realmente sincero na internet.

Meus textos são autobiográficos. Mas não refletem ao pé da letra o que de fato ocorre. E os desfechos não são exatamente aquilo que na vida real acontece. É ficção, tudo ficção.

Assim como a vida, a internet é ficção. A internet é literária.

Eu nunca usei o blog de confessionário.

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E assim acaba o momento metalinguagem.

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