sexta-feira, dezembro 24, 2010

2011, já? Mas peraí, ontem mesmo era ano 2000!

O fetiche do ano 2000 foi grande. Me lembro de imaginar “no ano 2000, terei 15 anos!”. As coisas seriam magicamente resolvidas, a tecnologia que nunca sonhamos estariam em um piscar de olhos disponíveis para nosso uso…

Algumas coisas, sim, aconteceram com maior intensidade após o ano 2000, como a escalada dos gadgets individuais, bem representados pelos palmtops, que evoluíram para os smartphones e, agora, para o iPad (que já considero item da segunda década do século). Além disso, a fotografia digital saiu das revistas de tecnologia para figurar nas mãos de quase a totalidade da população brasileira.

Quem diria que um operário chegaria à Presidência, que se reelegeria, que faria sua sucessora – e seria uma mulher! Quem diria que a internet cresceria tanto? E quem diria que haveriam sites onde as pessoas poderiam interagir, como o orkut e, mais recentemente, o facebook? (afinal, elas não poderiam simplesmente interagir na vida real?).

Mas algumas coisas não aconteceram. A cura milagrosa das doenças a partir do sequenciamento do genoma humano, por exemplo, está no rol das promessas não cumpridas. Não temos carros voadores, não temos teletransporte, não fazemos viagens a Jupiter (só em períodos de matrícula na USP). E ainda temos uma malha ferroviária ridícula para as nossas necessidades.

E na minha vida pessoal também há espaço para reflexão. Quem diria que eu faria Administração de Empresas, depois emendaria uma FUVEST e faria Ciências Biológicas na USP? Aliás, quem diria que eu um dia iria estudar na USP? Era um sonho distante, quase uma alucinação. E mais, quem diria que eu trabalharia em tantos lugares diferentes: Junior Trevisan Consultores, Central Única dos Trabalhadores, Herbário do Departamento de Botânica da USP, Prefeitura Municipal de São Paulo, Dental Family, Instituto 5 Elementos e, por fim, Instituto de Pesquisas Tecnológicas? Isso sem contar as iniciações científicas que eu iniciei e não finalizei: Laboratório de Sistemática Vegetal, com Lucia Lohmann e Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos, com Rui Murrieta?

Nunca imaginei que um dia iria conhecer tantos lugares desse mundão. Era delírio imaginar fazer um mochilão pela Europa, passando por Londres, Amsterdã, Bruxelas, Paris, Barcelona, Madri, Lisboa, Tomar, Batalha, Nazaré, Fátima, Coimbra e Porto. Era ainda mais delírio imaginar que voltaria para fazer Paris, Veneza, Ferrara, Bolonha, Pádua e Florença. Também não imaginava conhecer Aruba, ir a Cancún, visitar Orlando aos 24 anos de idade – e passar o maior medo da vida no avião na viagem de volta ao Brasil.

Quem diria que eu veria in loco uma final de Libertadores da América na qual o meu time goleia o adversário por 4 a 0? Quem diria que eu veria meu time ser o único brasileiro tricampeão mundial de clubes? E quem diria que eu veria três conquistas seguidas de Campeonato Brasileiro, depois de tanto sofrer na segunda metade dos anos 90?

E quem diria que eu sofreria a maior perda da minha vida, quando minha avó, minha madrinha e minha grande companheira nos deixou de uma hora para a outra, quando pensávamos que ela estaria aqui conosco para ver a segunda década do século XXI chegar? E quem diria que, logo em seguida, meu avô, também de uma hora para a outra, não pôde continuar a nos ver crescendo?

Essa década marcou meu crescimento, minha saída da adolescência e entrada no mundo dos adultos. Mas não totalmente: ainda guardo muitos traços daquele garoto que se formou na 8ª série em 1999, gostava de Bad Religion, Silverchair, Offspring, estava começando a tocar bateria e nem imaginava o que estava por vir.

Quanta gente eu conheci, quantos lugares eu visitei, quantas brigas eu tive, quantos abraços, ganhos, perdas, choro, risadas, vitórias e derrotas.

Chego ao final da década muito satisfeito com tudo o que vivi nos últimos 10 anos. Hoje, ouvindo novamente “Anthem for the year 2000”, vejo o quão rápido isso tudo passou. As incertezas, os medos, o bug do milênio, isso tudo é passado agora. Chego a 2011 na condição de planejar meu futuro, de ver horizontes mais distantes. Carrego uma bela bagagem e uma natureza inquieta, que não me deixa acomodar e parar onde parece confortável.

Tired of lying in the sunshine
Staying home to watch the rain
You’re young and life is long
And there is time to kill today

And then one day you find
Ten years have got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun

sexta-feira, julho 23, 2010

Back in the US...

Olá leitores e leitoras,

Escrevo de solo norte-americano. Mas precisamente da cidade de Orlando, Florida. Sim, é algo inusitado, mas até que já estou me acostumando com a ideia. Bom, vamos começar desde o começo.
Tenho uma irmazinha, tem 5 anos. Ela simplesmente adora as princesas da Disney e tudo o mais. Essa viagem é mais para ela, pra ver o Mickey, o Pateta, a Cinderela... mas estamos todos aqui por ela e também porque dizem que a Disney é pra todas as idades. Estou andando em círculos no texto, não é? Pois. Estou tentando justificar a mim mesmo a razão pela qual estou aqui, e vou contar também porque eu tenho essa necessidade de auto-justificativa.
Quem me conhece há tempos e/ou lê meu blog há muitos anos sabe que eu sempre fui avesso aos EUA, à cultura norte-americana, ao consumismo que emana dessa cultura e dessa terra. Aos 16, 17 anos, prometi a mim mesmo que nunca viria pra cá, nunca pisaria em tal solo, tão cheio de significados que vão contra meu estilo de vida e modo de pensamento.
Tudo isso depõe contra mim nessa viagem. Estou há meses tentando me acostumar à ideia de vir à Disney e tudo o mais. E agora cá estou. E muito do que eu esperava está realmente se concretizando: ligo a TV, só comerciais incitando o consumismo. Ontem, vi na TV um padre vendendo um "No evil oil", que, segundo ele, passou por uma bateria de 17 horas de orações e foi abençoado pessoalmente por ele. E tem gente que cai nesses papos e compra o tal óleo "xô-satanás". Passando pelos canais de madrugada (chegamos às 5h no hotel), onde não era notícia, era "infomercial", bem ao estilo Polishop (ou aqueles antigos 011-1406), vendendo os produtos mais esdrúxulos, a maioria prometendo deixar o consumidor em forma com apenas 15 minutos de exercícios diários.
Tudo aqui lembra filme. As lojas, os letreiros, a televisão, o hotel, os hóspedes do hotel. Pelo pouco que vi aqui, os EUA se parecem muito com o que meu preconceito sempre ditou.
Mas não é assim tão ruim.
A internet aqui no quarto do hotel é bastante boa. O atendimento aos clientes também é excelente e, pelo que andei vendo sobre a Disney (nunca tinha pesquisado nada sobre os parques daqui), parece que vai ser bem divertido.
Sinto que estou prestes a perder um preconceito bobo sobre esse país. Mas sinto que perder esse preconceito significa confirmar alguns maus pressentimentos e descartar outros, que se tornaram (ou tornarão) gratas surpresas perante a imagem que sempre tive dos EUA.
A primeira impressão foi meio tensa: assim que chegamos no quarto, ele ainda não estava totalmente arrumado. Parece que a faxineira largou ele lá quando deu o horário de ir embora. Tinha desde aspirador de pó e vassoura até salsichas no chão do banheiro. O hotel prontamente nos mudou de quarto para voltarmos hoje, mas foi muito desagradável. O chuveiro também se liga diferente, tem que puxar a maçaneta e girar pra direita ou pra esquerda pra controlar a temperatura. Depois de apanhar um pouco, conseguimos tomar banho. 
A partir de amanhã vamos visitar os parques. Trouxe minha máquina fotográfica, vou ver se consigo fazer como o Thom e ir postando aqui conforme os dias forem passando. Caso não conseguir (não sei se tenho essa paciência e sistemática), ao final posto tudo em um album do Picasa.
Bom, por hoje é só pessoal. Aguardem mais novidades!

quarta-feira, julho 21, 2010

Saga matinal com o carro emprestado

Hoje é meu rodízio. Quarta feira. Só lembrei quando estava quase no meio do caminho. Se passasse a ponte do Jaguaré, estaria frito. Aí, voltei pra pegar o carro do meu irmão, um Ford Ka com motor flex. Nessa, já me atrasei bastante. Mas, como desgraça pouca é bobagem, quando liguei o carro, vi que estava totalmente sem combustível. Parece que ele estava só esperando uma quarta-feira para que eu colocasse álcool no carro dele. Pois bem, passei no posto.

Como sempre, o frentista perguntou se eu queria que ele visse o motor. Abri a tampa do capô e ele foi olhar. Nessas, já estava a caminho do caixa pra pagar quando o frentista me fala “ta faltando gasolina no reservatório aqui da ignição... quer colocar?”. Já pensei “merda, isso ta me saindo mais caro do que eu esperava”, mandei colocar a tal gasolina no motor de ignição. Assim que coloquei o cartão na maquininha, lá vem ele de novo me mostrando o medidor de óleo: “ta seco, tem que colocar. Custa 28 reais o óleo pra esse carro”. Desgraça pouca é bobagem, né? Beleza, mandei pôr. Afinal, se o carro pifasse no trânsito por falta de óleo no motor, ia me sair muito mais do que 28 reais.

Estou tentando até agora falar com o meu irmão pra falar que gastei uma grana preta com o carro dele hoje e que eu espero o ressarcimento o quanto antes. Mas o bonitão ainda está em seu doce sono de férias.

Resumo da ópera: cheguei ao trabalho uma hora mais tarde do que devia, 50 reais mais pobre e ainda corro o risco de não ver mais a cor dessa grana. E eu pergunto: custa abrir o capô do seu próprio carro de vez em quando pra ver se tem óleo? Não precisa ver a cor, a quilometragem... só checa pra ver se tem.

Puta merda.

terça-feira, julho 20, 2010

Brincando com o barbeador

Ultimamente tenho alternado entre rosto com barba e rosto sem barba. E, como todo mundo que faz a barba, durante o processo eu também brinco de fazer diversas formas, como American Chopper, Wolverine, Elvis, Bigode, até terminar por ter o rosto limpo.
Como ontem eu fiz a barba, acabei brincando um pouco disso. Tirei duas fotos no celular, deixo aqui para registro:


E aí, vai encarar?

segunda-feira, julho 19, 2010

Movidos a música: Grooveshark é o canal

A música tem dessas coisas que fazem a gente ter mais vontade de fazer tudo.

Aqui onde trabalho tem um som, sempre ligado. O pessoal aqui curte ouvir a Antena 1. É legal, é bacana, mas repete demais algumas músicas. E nem sempre estamos com vontade de ouvir o que o pessoal da Antena 1 gosta.

Então, minha solução é entrar no grooveshark (listen.grooveshark.com) e escolher eu mesmo minha programação, que chega aos meus ouvidos pelo meu super headphone do skype.

Cada dia pode ser uma programação diferente. Tem dias que eu só escuto Metallica. Nesses dias, o trabalho é agressivo, é rápido, é cru. O tempo passa voando e, quando se vê, já está na hora de ir pra casa. Nem sempre isso é bom, mas no geral é sim. O mesmo acontece quando escuto Raimundos ou uma seleção de punks dos anos 90.

Outra opção de diversão garantida é ouvir Jazz. Seja ele acid, eletrônico, tradicional, ou qualquer outra versão do gênero. É sempre bom, pois, apesar de ele manter a majestade, é sempre imprevisível e pode te acelerar tanto quanto uma música do Metallica. Costumo colocar nessa lista John Coltrane, Herbie Hancock, Koop, e geralmente deixo a opção "Radio" ligada pra manter a pegada.

Há ainda a possibilidade de ouvir só Roberto Carlos, ou Chico Buarque, ou Jorge Ben... É realmente uma coisa incrível. Movido a música como sou, é uma salvação para os dias em que os DJs da Antena 1 não estão lá muito inspirados no meu gosto - o que acontece quase todo dia. O bacana do Grooveshark é que você, criando um Login, pode salvar suas listas para ouvir outro dia. É praticamente um iTunes online gratuito. Na minha opinião, não preciso mais baixar MP3 em casa, eu simplesmente os escuto online via Grooveshark. Pretendo no futuro comprar uma conta VIP pra ter acesso a mais um monte de coisa que o site oferece, mas por enquanto ele
está me suprindo bem.

Existem outros sites de música, também. Um exemplo é o Last.fm (que agora virou 100% pago). Mas eu acho que o Grooveshark acertou na mosca de tal forma que os outros, agora, são só os outros.

domingo, julho 18, 2010

Novo Uno abortado

Esse fim de semana fui ver o Novo Uno na concessionária.

Acho que supervalorizei o carro, as versões mais baratas (com valores próprios de carro popular) são muito feias. As mais bonitinhas, com acabamento mais decente, saem tão caro que nem adianta pensar em comprar.

Aliás, tô percebendo que não é assim tão fácil comprar um carro. O meu tem sido avaliado abaixo do que eu esperava, e o juro dos financiamentos são ridículos. No final, pagamos dois ou até três carros.

Ainda visitei as concessionárias da Peugeot e da Chevrolet. O Corsa é feio por dentro, muito cru. Sou mais o meu Palio. O Peugeot 207 é lindo, robusto, com um belo acabamento, muito mais carro que o Novo Uno por um preço bem menor… mas não tem mercado de revenda, segundo meu pai.

De toda forma, não conseguiria bancar agora as parcelas do financiamento.

Vou ver um consórcio. Pelo menos faço uma poupança forçada. E também vou arrumar meu carro, deixar ele 100%. Isso já vai ser uma bela conquista.

sexta-feira, julho 16, 2010

Eu quero um Novo Uno

Estou pensando em trocar meu carro. Quero um Novo Uno, daqueles bonitões, em uma cor bem legal. Mas quero que ele seja 4 portas e flex. Não tem como não ser flex hoje em dia, mas é bom que se frise que eu quero a possibilidade de escolher o combustível mais barato.
Tenho gastado muita grana em gasolina ultimamente. Além disso, meu carro tem alguns probleminhas crônicos que eu já não aguento mais. A pior delas é a falha de todo palio de 2003-2004-2005: a porta não é devidamente vedada. Então, quando chove, entra água pelo vão do vidro e enche d’água. Aí, tem que puxar um dos borrachões que tem na parte de baixo da porta pra água sair. Só o palio tem esse borrachão, o que confirma minha suspeita de que essa é uma known issue do modelo.
Outro problema é a trava elétrica: devido às constantes inundações da porta, danificou-se o sistema da trava elétrica. Ou seja, a porta só trava quando quer e, sempre que eu vou estacionar o carro, tenho que checar diversas vezes todas as portas pra ver se estão travadas. Isso é um saco.
Claro, dá pra arrumar os dois, mas isso significaria, em conjunto com os pneus que já estão quase na hora da troca, gastar uma bela grana de uma vez pra ele ficar novamente usável e confortável de dirigir. Por uma parcela menor do que o total dispendido nessa operação, posso sair de carro novo. E de Novo Uno, que tem sido bastante elogiado pelo design inovador.
Não faço questão de motor 1.4. Mas quero ar condicionado (esse último verão foi foda), o que pode deixar a versão 1.0 inconcebível. E quero também um CD player com MP3 (pra colocar mais músicas do Roberto no CD e contemplar os que pediram outras canções do Rei na minha lista). Quero porta-trecos aos montes, não quero mais ter um carro todo bagunçado ou com tudo amontoado no porta-luvas. E quero um carro bonito. Penso em uma cor grafite, azul marinho ou verde musgo. Não quero nenhuma das invenções de adesivos do Novo Uno, acho isso meio babaca. Quero um carro clean.
Andei pesquisando os consórcios disponíveis aí no mercado, tem como eu me adaptar às parcelas. Só deixaria de fazer outras coisas, como guardar dinheiro para um possível mochilão pelo leste europeu quando me formar em Biologia. Semana que vem, ou talvez hoje, eu vou numa concessionária FIAT pra ver as condições e ver se o Novo Uno é isso tudo mesmo.
Meu pai disse uma coisa certa: carro é patrimônio. O meu já está bastante desvalorizado. Ter um novinho significa ter dinheiro aplicado nele. Fora o prazer de dirigir com aquele cheirinho de carro novo.
Sei que esse post foi muito consumista, mas de vez em quando sonhar não faz mal. Ainda que eu não compre o bichinho, está aqui registrada minha intenção.

quinta-feira, julho 15, 2010

Falando de política

Hora de almoço mais um dia.
Vou tentar criar essa rotina de escrever enquanto a marmita esquenta no banho-maria.

Hoje vou falar de política. Estamos em uma época propícia para tal, e agora já começou oficialmente o período de campanha, então o que eu escrever aqui não vai me render multas.

Em 2002, falei também sobre eleições aqui, mas não abri meu voto. Era óbvio que eu ia votar no Lula, mas não queria falar. Ainda tinha vergonha disso, pensando que não era uma coisa muito comum no meio onde vivia (e ainda vivo). Hoje, oito anos depois, não tenho mais isso. Acredito que o legal é a gente ser aberto, falar mesmo, já que não é vergonha nenhuma quando a gente vota com razões suficientes.

Para presidente, a escolha é fácil: Dilma Roussef. Aqui onde trabalho, a escolha geral é Marina Silva, e eu compreendo as razões. Mas escolho Dilma também porque não quero ver Serra assumindo a presidência e acabando com todos os avanços da administração Lula.

Por todos os números da economia do país, por todos os milhões de brasileiros que saíram da linha de pobreza absoluta, por todas as ações sociais, sem esquecer do desempenho internacional do país nos últimos 8 anos, pelas conquistas dos maiores eventos mundiais aqui, pelo PAC, pelo Pré-Sal, pela simplicidade e humildade do Lula, pela capacidade que ele tem de falar a todos os brasileiros sem exceção, pela trajetória, pela posição pelos mais necessitados. Por tudo isso, votei em Lula em 2002 e 2006. Por tudo isso, voto na continuidade de Dilma Roussef em 2010.

E, também, pelo fato de termos a possibilidade de uma mulher ocupar o principal cargo da nação. E isso não é pouca coisa. As mulheres já têm estado em alta há tempos, desde as revoluções do século passado, o auge no Brasil será a partir de 2011, quando teremos uma “Presidenta”.

Serra não tem propostas, não tem projeto, não tem discurso. Está na mesma situação que Lula estava em 1994, quando o Plano Real não deixava dúvidas que FHC seria eleito ainda no primeiro turno. A aprovação recorde do presidente operário o torna o melhor cabo eleitoral da história da nossa democracia. Serra, quando fala, prefere atacar a Bolívia e a Venezuela a falar mal de Lula. Sabe que isso não é vantajoso. O PSDB inclusive tem falado em punir seus candidatos a governos que associem suas imagens a Dilma. Se chegou a esse ponto, é porque nem os tucanos acreditam no Serra. Em Minas Gerais, o caso é emblemático: o fenômeno “Dilmasia”, que prega votar em Anastasia (PSDB), candidato de Aécio Neves, para Governador, e em Dima (PT), candidata de Lula, para Presidente. É ou não é uma situação muito complicada para Serra?

Outra coisa é o vice, Índio da Costa. Higienista, já quis proibir até as esmolas no Rio. Com um vice desses, teremos novamente a velha prática de expulsar os mendigos das ruas, como fizeram D. Pedro I nas ruas do Rio, e José Serra e Gilberto Kassab em São Paulo? Veremos as rampas anti-mendigo em escala nacional? Vou parar por aqui, pois se continuar, o texto vai ser só sobre ele.

E tem a Marina Silva. A escolha por Marina é um voto de opinião. Respeito muito. Mas, como bem disse Mino Carta no editorial da semana passada de Carta Capital, um voto em Marina é um voto em Serra, pois Marina e Dilma dividem um público em comum, que é proveniente das esquerdas do país, preocupado com as questões socioambientais. Sem dúvida Marina tem mais preparo na área ambiental do que Dilma, mas o governo não é feito só desse pilar. A pressão do cargo é muito grande e, se Marina não aguentou o Ministério do Meio Ambiente, entregando o cargo, será que teria força suficiente para levar a Presidência? Gostaria, sim, de vê-la participando do governo, mas não no cargo máximo. Concordo com as ideias dela, quero vê-la trabalhando em prol do meio-ambiente. Não poderia ser diferente, uma vez que é justamente isso que eu faço, e é justamente na mesma luta que eu me incluo. Mas não posso tirar um voto da Dilma e colocar na Marina, favorecendo Serra para um possível segundo-turno das eleições.

Agora, para governador, é mais complicado. Tudo indica que teremos uma vitória de Geraldo Alckmin em primeiro turno. Como já era de se esperar, pois quando a situação é boa, o continuísmo sempre vem muito forte. Como eu não sei como faz na urna o número do PSDB, para o Governo do Estado vou dar meu voto de opinião: Feldman (PV). Simplesmente não tenho alicerce moral para votar no Mercadante (PT), que se demonstrou sem personalidade e um candidato muito, muito fraco. Votar no PV é sinalizar que simpatizo com as ideias do partido, e que o rumo deles é um que eu aprovo.

Para deputado federal e senador, a dúvida maior. Não faço a mais vaga ideia de quem receberá meu precioso voto. Confesso que nem conheço os candidatos, tomei contato com um deles hoje, mas em outra oportunidade eu falo mais. Agora é pesquisar fichas corridas, trajetórias de vida e intenções de trabalho quando eleitos.

Com o perdão de encerrar o assunto pela metade, peço licença, pois agora a marmita deve estar já no ponto ideal para seu consumo. Outro dia continuo esse papo.

quarta-feira, julho 14, 2010

o Rei

Poucas descobertas musicais me influenciaram tanto quanto as pérolas da Jovem Guarda. Falo especificamente dos primeiros albums de Roberto Carlos, além, é claro, da sequência matadora de três albums de Ronnie Von.

Hoje vou falar do Rei. Roberto Carlos sempre foi sinônimo de brega pra mim. Até começar a ouvir o disco “Em ritmo de aventura”. A partir daí, passei a colecionar pérolas em mp3 do Rei, até ser convencido a chamá-lo pela alcunha eternizada pela Globo. Então, fiz um CD com as que eu mais gosto. Claro, em um CD comum não cabem muitas músicas. Mas as que entraram foram as seguintes:
  • Parei na contra-mão – música engraçadinha de um playboy dos anos 60 com sua caranga azarando um broto. Ponto alto: “acho que esse guarda nunca se apaixonou, pois minha carteira o malvado levou”
  • Negro-gato – ele se descreve como um negro gato de arrepiar, que conta uma história de amargar. É interessante ver o Rei nessa pose toda. Ponto alto: gritinhos de uóu em meio aos versos e a voz de malvado de Roberto Carlos.
  • Eu sou terrível – mesmo tema da anterior. Ele é terrível. Melhor não provocar se você for um broto. Ponto alto: “você não sabe de onde venho, o que eu sou e o que eu tenho”
  • É proibido fumar – “ma-conha!” ponto de partida do Skank, essa é clááááássica. Ponto alto: “eu pego uma garota e canto uma canção, nela dou um beijo com empolgação, do beijo sai faísca e a turma toda grita que o fogo pode pegar, AU!”
  • Quero que vá tudo para o inferno – música que o TOC do Rei não o deixa mais cantar, é uma bela e paradoxal declaração de amor. Bem propícia para esses dias frios de inverno. Ponto alto: “quero que você me aqueça nesse inverno, e que tudo mais vá pro inferno!”
  • Detalhes – uma das músicas-ícone do Rei. É realmente uma melodia muito bonita, mas ouvindo bem a letra, é de uma filhadaputice sem igual. Ponto alto: “se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada, não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada”
  • Ilegal, imoral ou engorda – RC junkie. Ponto alto: “tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda”.
  • Namoradinha de um amigo meu – Situação, hein, colega? O camarada se apaixona pela namorada de um amigo. Ponto alto: “o que é dos outros não se pode ter”
  • Não vou ficar – um grito de desabafo. O importante aqui é a atitude de falar. Um pé na bunda do Rei. Ponto alto: “pensando bem, não vale a pena-a ficar tentando em vão, o nosso amor não tem mais condição não, não, não, não, não, NÃO...”
  • Calhambeque – mais uma música de um playba dos anos 60 azarando brotos. Ponto alto: “olhando para o lado com cara de malvado...”
  • Eu te amo, te amo, te amo – uma história de amor à distância em tempos sem internet. Ponto alto: “maaaas o dia que eeeu puder lhe encontrar eu quero mostrar o quanto sofri por todo esse tempo que eu quis te falar... eu te amo, eu te amo, eu te amo...”
  • As curvas da estrada de Santos – mais uma de playba com sua caranga. Mas essa é de um playba com problemas amorosos que ameaça se matar nas curvas da estrada de Santos. Ponto alto: “você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim, e que na minha idade só a velocidade anda junto a mim”
  • Por isso corro demais – tempos de ruas e avenidas sem radares. Playboyzada dos anos 60 acelerando e achando que isso é prova de amor. Interessante ver o Rei como um adolescente. Ponto alto: sons de motor acelerando
  • Emoções – O Rei dos anos 90. Nosso Frank Sinatra. É uma reflexão bem bacana sobre a vida do próprio, que pode ser estendida às nossas vidas. Ponto alto: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”
  • É preciso saber viver – Música de retomada da carreira dos Titãs depois da queda pós-sucesso do acústico MTV. Outra música que teve a letra mudada pelo TOC. E é uma verdade. Ponto alto: “Se o bem e o mal existem, você deve escolher, é preciso saber viver”
  • Traumas – Minha reflexiva preferida. Só ouvindo e sentindo mesmo. Ponto alto: “meu pai um dia me falou pra que eu nunca mentisse, mas ele também se esqueceu de me dizer a verdade”.
Muito dessa minha repulsa inicial pelo Rei veio do mesmo motivo pelo qual eu hoje o admiro muito: meu pai é um grande fã do Roberto. Mas eu sempre escutei as músicas pós-Erasmo Carlos. Cá entre nós, a fase religiosa dele é terrível. Agora, as fases rock’n’roll, black e jazz dele são realmente muito boas. A primeira pela ingenuidade e humor. A segunda, pelo ritmo e a terceira pela grande música que ele conseguiu fazer, no mesmo nível dos grandes intérpretes internacionais. É por isso que o chamam de Rei: ele conseguiu migrar por diversos estilos, sempre mantendo a majestade musical. Ele tem uma voz afinadíssima, além de um carisma incomparável.
Claro, tem muitas outras músicas que poderiam estar no CD, também, mas essas foram as que couberam. Ainda não tenho um CD player Mp3 no carro. Quem sabe no futuro eu não possa ampliar essa lista com outras?

Em outra oportunidade falo da trindade de Ronnie Von.

Tempo, tempo, mano velho

É, gente, parece que foi ontem, mas faz um tempão já que esse blog existe. Criei este blog em 2002. Estava indo do segundo para o terceiro colegial. Desde então ele tem sido um companheirão, onde eu escrevo o que me dá vontade, muitas vezes contando sobre meu dia-a-dia, outras vezes emitindo opinião... e a maioria das vezes deixando ele aqui, a postos, sem escrever nada de novo. E isso é também papel de um blog: ser um espaço permanente, não necessariamente me obrigando a escrever sempre.

Hoje, 2010, oito anos depois, estou no quarto ano da segunda faculdade.

Nesse meio-tempo, muitos empregos, muitas pessoas passando pela minha vida, muitos amigos vieram, se foram, muitos hobbies adquiridos, outros abandonados.

Foram muitos títulos do São Paulo, um do Brasil. Algumas decepções também, principalmente do Brasil.

É, tempo, tempo, mano velho. Blog, blog, mano velho. Esse sabe mais sobre mim do que eu mesmo.

terça-feira, julho 13, 2010

A marmita

Voltei a trabalhar em um local longe o suficiente para não ter a possibilidade de voltar pra casa para o almoço. Isso me dá duas alternativas: pagar para almoçar fora ou marmita. 

Obviamente, com o meu salário, decidi pela marmita. Mas ainda não reaprendi a preparar uma de modo que eu não termine com fome ou tenha que jogar o resto fora. 

Esses dias, o povo daqui do escritório, para me acompanhar, pediu beirute delivery. Eu tinha trazido arroz, feijão, frango à passarinho e, de sobremesa, queijo branco e goiabada. Tudo isso em um daqueles potes com três divisões. Estava bastante empolgado com o almoço, achava que ia ser muito bom. 

Aí chegaram os beirutes. 

Eles eram grandes, de filé, com salada, ovo, tomate seco... E no tempo que eu terminei meu prato e a sobremesa, o povo do beirute ainda estava na metade, pensando em guardar o resto para mais tarde. 

Nessa, eu comecei a perceber que minha fome ainda persistia. E o beirute deles também. E defini que marmita é sim um negócio legal, mas tem que ser bem feita. E, de vez em quando, eu vou comer um beirute aqui também, só pra não ter filhos com cara de pão sírio. 

E ontem lá fui eu no restaurante conhecido aqui como Gordurinha. Não tinha trazido comida de casa. Um prato pequeno, com salada, arroz, feijão, banana a milanesa e farofa, mais um suquinho de limão, saiu pela bagatela de R$ 18,90. E decidi que não dava pra comer gastando isso tudo. 

Hoje, trouxe marmita. Caprichada. Até fritei bife e cebola ontem à noite para colocar nela, dar uma incrementada. Trouxe Guaraná, que vai durar pra hoje e pra amanhã. E, pelo cheiro, e por estar já há meia hora no banho maria, deve estar pronta. Veremos se foi suficiente.

quinta-feira, julho 08, 2010

Blog temático

Talvez transforme este em um blog temático. Não mais para falar amenidades sobre minha vida, mas para emitir opiniões e postar notícias e artigos acerca de algum assunto em específico. Talvez esse assunto seja Meio Ambiente e Sustentabilidade. Talvez.

Ou talvez eu mantenha como está, e deixe rolar, como sempre deixei, correndo o risco de ficar sem assunto/saco para escrever aqui.

Se bem que tenho saudade de postar direto aqui. Vou fazer mais esse exercício de escrever. Principalmente porque o Blogger permite a postagem pelo e-mail e escrever um e-mail é socialmente mais aceito do que escrever em um blog.

domingo, maio 09, 2010

Discussão só na vida real

Sou um cara chato. Isso é fato.

Adoro uma discussão bem acalorada, com argumentos fortes vindo dos dois lados.

Portanto, quando não há dois lados, eu invento o que falta.

Causar polêmica na aula de didática, em seminário sobre transgênicos, em aula de filogenia de metazoa... É assim que eu tenho me divertido ultimamente. Sempre arrumo um jeito de causar discussão, mas nem sempre o que eu falo é realmente o que eu penso.

Mas aqui no blog eu só conto o que acontece. Não pretendo mais causar polêmica aqui. Já passei dessa fase há um tempão, estou muito mais no mundo real hoje em dia.

E, se discussões reais me empolgam e me divertem, discussões virtuais me cansam e me entediam. Não é esse meu propósito aqui.

quarta-feira, maio 05, 2010

Sem ter nada

É, tem gente que simplesmente não entende.

 

Só no Playstation.

quinta-feira, abril 29, 2010

Quarta-feira futebolística

Barça foi eliminado pela Inter. Futebol contra anti-futebol. Venceu o futebol, mas o anti-futebol levou.

São Paulo empatou sem gols com o fraco Universitario. Anti-futebol nos dois lados.

Flamengo, com um a menos, contribuiu para o Sem-ter-nada do Corinthians. Jogão.

E o Galo mostrou que dá, sim, pra vencer o Santos dos deslumbrados e desmiolados Robinho e Neymar – que, por sinal, jogam muito. Mais o segundo que o primeiro.

Overdose de futebol? Não, a dose foi alta mas eu aguentava mais uns 3!

sexta-feira, abril 23, 2010

Comentários que causam polêmica nas aulas de Didática

Sim, estou fazendo a matéria de Didática.

E minha maior diversão é soltar comentários que fazem os radicais da FFLCH ficarem nervosíssimos e soltarem os cachorros pra cima de mim.

O primeiro deles foi há duas semanas, enquanto todos questionavam como lidar com a Educação em um tempo em que o “Mercado” é o centro de tudo e quer os alunos preparados para seguirem ordens e não para pensar criticamente. Eu disse:

“Mas o que vocês não entendem é que o Mercado não é assim tão ruim. Todos nós estamos aqui hoje pra poder no futuro entrar no Mercado. E o Mercado quer, sim, gente que pensa criticamente. Esses serão os chefes de amanhã, não serão que nem Chaplin em ´Tempos Modernos`. O Mercado quer, sim, gente que pensa criticamente. Vamos parar de ver o Mercado como um monstro comedor de criancinhas".”

Foi um auê só. Lá se foi a aula, o tema, a discussão, todo mundo só queria bater no Mercado, uns diziam que “o Mercado não perdoa”, outros “você não sabe do que está falando”. Eu só ria daqueles que nunca estiveram lá e têm uma visão extremamente idealizada do tal “Mercado” que eles até escrevem com letra maiúscula. Duvido que, amanhã, não estejam todos lá loucos para entrar nesse monstro de 7 cabeças.

Outro comentário foi ontem, quando discutíamos projetos em grupo para serem aplicados para classes de Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Um dos grupos da sala (que tinha alunos de Enfermagem) sugeriu que se fizesse um trabalho sobre vacinas, explicando sua importância, como age no organismo, e depois uma contextualização da história, mencionando a Revolta da Vacina, etc. Um outro grupo (basicamente composto por alunos de História), criticou dizendo que esse projeto era “doutrinação”, que “não ensinava o aluno a pensar”, que “deveria expor também argumentos contrários à vacinação”. Fiquei pasmo. Não exitei, levantei a mão e soltei:

Vou ser muito criticado pelo que vou falar. Mas eu acredito que, quando o assunto é saúde pública, tem que ser doutrina, mesmo. Arbitrário. Não pode dar escolha para o indivíduo quando a saúde da população está em jogo. Você não pode dar argumentos contrários para a vacinação, pois se não você cria a falsa crítica, de gente que simplesmente vai achar bonito ser crítico e não vai tomar a vacina, colocando em risco toda a população.”

Novo auê na sala. Gente me perguntando meu curso, dizendo que o certo é ser crítico mesmo, gente me ofendendo, essas coisas todas. Até que a professora cortou a discussão por medo do que viria por aí. Não pude falar mais sobre isso, mas creio que me fiz claro. Se você aparece num posto de saúde com uma doença extremamente contagiosa que ninguém sabe como trata, você não vai ter escolha, colega. Vai pra quarentena, ficar longe da sua vida, e nada poderá ser feito até que estudem o que você tem e descubram uma maneira de evitar uma epidemia.

A grande questão aqui é que, quando os interesses coletivos estão em jogo, pouco importa seus interesses de indivíduo. Vivemos em sociedade e, portanto, abrimos mão de vontades pessoais pelo bem comum. Isso já acontece em muitas áreas, mas pelo visto tem gente que prega mesmo é o egoísmo. O indivíduo sobrepondo o coletivo. E isso, sim, me deixou bastante nervoso.

Mas terei mais oportunidades de irritar fanáticos marxistas. Vou postando aqui conforme as provocações forem avançando.

terça-feira, abril 20, 2010

Uma folha em branco…

Uma folha em branco é tudo o que eu preciso para começar a escrever. Muitas vezes a inspiração vem em horas que não tenho esse recurso tão simples. Portanto, ideias que podem ser muito boas escapam do pensamento da mesma forma que chegam: por mágica. Já perdi a conta quantas vezes penso “ah, seria legal escrever sobre isso, teria bastante coisa a falar”. Nessas horas, geralmente estou no metrô, ou no ônibus, ou na aula, ou trabalhando. Situações em que não posso simplesmente começar a escrever e esquecer do resto.

Sim, já escrevi em ônibus e metrô. Alguns textos passados aqui do blog são provenientes desses locais. Mas é muito complicado, balança, nem sempre estou sentado, nem sempre tenho papel e caneta. Logo, nem sempre é possível escrever nessas condições.

Outra coisa: para escrever, tenho que estar sozinho. Não adianta. Não consigo escrever quando tem gente perto de mim, quem quer que seja. Tá, consigo se não for um texto pessoal. Se for escrever textos do trabalho eu consigo, numa boa. Mas se for o tipo de texto que vocês encontram aqui ou aqui, não rola. Tenho que necessariamente estar sozinho.

Então, dá pra ver que minha primeira frase do texto foi um tanto exagerada, né? Pois então. Nem tudo é tão simples quanto a gente acha de início.

segunda-feira, abril 19, 2010

Preciso começar a anotar…

Não consigo mais lembrar das idéias que tenho durante o dia pra escrever aqui.

Quem sabe um dia eu não tenha idéias enquanto estiver em frente ao pc.

sábado, março 06, 2010

amnesia

Juro que tinha coisa pra escrever aqui, mas esqueci.

 

Não devia ser importante. Quando lembrar volto.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Um pouco de pop art


Pop art montado
Originally uploaded by Leco Gonçalves
Aqui em casa estamos em reforma. Apesar da bagunça, é certo que depois do transtorno, os benefícios serão facilmente percebidos. Essa reforma, além da sala, inclui também os quartos. E, no quarto da minha irmã, minha madrasta teve a idéia de colocar uma pop art no estilo Marilyn Monroe por Andy Warhol com a foto da minha irmã.
Ela ia contratar um artista plástico pra fazer, mas o cara não se deu ao trabalho de vir até em casa pra tirar uma foto pra trabalhar em cima. Então, indignado, falei que sabia fazer.

Era mentira.

Eu só tinha uma idéia de como faz, mas nunca tinha tentado. Mas confesso que fiz um pouco por implicação, mesmo, porque não me perguntaram se eu sabia fazer antes e tal. Mas enfim. Sei que fiquei meio puto com a situação e acabei me dizendo capaz de algo que nunca tinha tentado fazer.

Eis que ela chega pra mim uns dias depois e fala "ah, então faz você". E me mostrou a tal foto do quadro de Warhol. Aí falei "bora lá, vamos tentar". As primeiras tentativas foram um fracasso total. Muito porque, também, não consegui tirar a foto ideal pra usar. Essa composição usa muito as sombras. E com as fotos que tenho aqui da minha irmã nunca vou conseguir um resultado satisfatório.

Já estava ficando triste, nervoso e prestes a confessar minha inabilidade para realizar o feito propagandeado, quando resolvi tentar fazer com uma foto da minha namorada que tirei no Embu das Artes, num sol de dez da manhã, batendo lateralmente no rosto, fazendo sombras e luzes perfeitas. Eis que deu certo. Eis que saiu essa bela peça que posto aqui, minha primeira decente no pop art. O trabalho que me ensinou como faz. Desde a foto até o acabamento, aprendi o basicão fazendo esse trabalho.

Estou bastante orgulhoso e, finalmente, me sinto pronto pra realizar a tarefa. Vou tirar uma foto já pensando no resultado final, evitando completamente o flash e usando a iluminação natural de um hor[ario favorável.

E aí, galera? O que acharam da composição? Eu gostei muito! Dêem suas sugestões tendo em mente que esse é o primeiro trabalho desse tipo que eu realizo satisfatoriamente!

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Metallica

Estonteante, avassalador, incrível, mortal, destruidor!!!

Escuto um apito nos ouvidos até agora.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Projeções

Estamos chegando ao fim do primeiro mês de 2010. Não é mais um ano recém-nascido, já é crescidinho, faz malcriação e muitas vezes deve ser repreendido. Aproxima-se da adolescência e em breve já estará na maioridade.

E, mesmo assim, ainda não fiz meus planos pra esse ano. Quando escrevi sobre isso em 2009 não imaginava 10% do que iria me acontecer nos próximos 365 dias. E, de fato, como esperado, quase nada do que escrevi se realizou, salvo valorizar meus amigos e conhecer um pouco mais de mim mesmo.

Então vamos lá: repito os votos de 2009, quero valorizar ainda mais minhas amizades. Quero valorizar todos aqueles que gostam da minha companhia e que me fazem bem. Ao final de 2010 quero olhar pra trás e ver que estou mais próximo de todos aqueles que valem a pena.

Agora, iniciando 2010 em uma situação inédita – trabalhando com meu pai no consultório –, espero terminá-lo de forma também inédita, tendo a possibilidade de sair de casa, morar em meu próprio espaço, pagar minhas contas sem ajuda e fazer com ele o que eu bem entender. Sei que pra isso se tornar possível ainda há muito o que trabalhar. Além disso, preciso pegar firme na faculdade pra ver se consigo terminar ao final de 2011. Mas quero desde já registrar essa intenção pra que ela não fique esquecida com o tempo e os meses.

Tenho aquele velho sonho de realizar um intercâmbio. Não vou desistir, mas não posso viver a serviço desse sonho. Pretendo prestar mais e mais bolsas de cooperação internacional dentro e fora da USP. Preciso muito desse complemento. Quero me virar sozinho em algum lugar estranho, aperfeiçoar minha compreensão de línguas estrangeiras e abrir portas para que, no futuro, eu possa retornar – seja a passeio, seja a trabalho.

Tá na hora de virar adulto no sentido estrito. Farei-o com ou sem intercâmbio. Se for necessário, espero até o mestrado ou doutorado. Quero ir antes disso, mas não dá mais pra adiar nada.

Quero voltar firme ao Aikido, também, pra conseguir ainda esse ano a tão sonhada faixa marrom, prometida pra 2009, mas que deve sair mesmo só esse ano. Espero que o Aikido, agora sem Kawai Sensei, siga o princípio de seu próprio nome e passe a ter praticantes e associações mais unidas. O caminho é a união, não a segregação, como tem sido tendência. Espero que tenhamos aprendido o que Kawai Sensei nos ensinou.

E, como sempre, espero entrar em 2011 melhor do que em 2010. Mais feliz, mais seguro, mais saudável e tudo o mais. E, como é ano de copas, dá-lhe Brasil na Copa do Mundo, dá-lhe São Paulo Futebol Clube na Libertadores e no Mundial, e dá-lhe Bio-USP na primeira divisão da Copa USP!!

Puta merda, tô atrasado.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Uma homenagem a Kawai Sensei

É com grande pesar que comunico o falecimento do nosso grande mestre, Kawai sensei. Faleceu na noite de 26/01/2010 e será velado e enterrado hoje, dia 27/01, conforme dados a seguir:

CEMITÉRIO DE CONGONHAS
AV. MIN. ALVARO DE SOUZA LIMA, 101 ( JD MARAJOARA) - PRÓX AV INTERLAGOS
VELÓRIO A PARTIR DAS 7HS
ENTERRO AS 17HS

Hoje acordei com esse e-mail em minha caixa de entrada. Estou chocado com o ocorrido, Kawai Sensei sempre foi um exemplo de vitalidade e força pra mim. Tive a oportunidade de treinar com ele algumas vezes, não tanto quanto eu gostaria, mas foi o suficiente pra tê-lo como Mestre.

Kawai Sensei foi aluno de O Sensei Morihei Ueshiba, fundador do Aikido. Foi ele quem trouxe a arte ao Brasil. Foi mestre do Nagao Sensei, meu mestre.

Kawai Sensei recentemente tinha se recuperado de uma situação que poucos acreditavam. Estava forte, ágil, sábio. Mas era um homem, e como todo homem, um dia não conseguiu vencer a própria natureza, e partiu. Deixou-nos em corpo, mas o que ele fez continua. Sua obra será sempre lembrada por aqueles que fazem o Aikido na América Latina.

Eu tenho um pouco de Kawai Sensei no meu Aikido. Todos aqueles que um dia já treinaram com ele ou o viram em alguma demonstração têm um pouco de Kawai Sensei. É assim que ele se mantém imortal.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Dica de cinema

Não veja “Onde moram os monstros”. É muito, muito chato.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Nosso propósito é simplesmente existir

Admito que toquei aqui em um assunto deveras complicado e polêmico, que envolve fé - o que por si só já o torna algo extremamente difícil.

Senti-me envaidecido com minhas idéias sendo rebatidas pelos leitores. Isso valoriza a discussão e tudo aquilo que está envolvido, como por exemplo as nossas opiniões.

Cada um tem o direito de acreditar e viver de acordo com preceitos e valores que bem entende. Podemos concordar ou discordar em parte ou inteiramente um do outro. Como foi dito no comentário do outro post, assim é a vida. Assim é a vida justamente porque temos essa capacidade de ter opiniões e discutí-las.

Realmente não acredito que haja um propósito para a nossa vida. Acredito na hipótese de que a vida é um fenômeno natural, próprio de ambientes como o nosso, rico em átomos aptos a formar cadeias (como Carbono, no nosso caso, ou Silício) e, com isso, química orgânica, com um ambiente líquido (no nosso caso, água), e rico em energia.

Isso não reduz a importância da vida. Ao meu ver, é justo o contrário: engrandece. Estarmos aqui discutindo como seres frutos do acaso, da energia que fez vida a partir de compostos que caminham contra a tendência da própria entropia, que evoluiu em direção à complexidade que experimentamos hoje... é, pra mim, fascinante.

E essa falta de propósito não significa que não devemos ter valores e princípios. Vivemos em sociedade, escolhemos nos primórdios de nossa espécie viver assim. Dentro dessa sociedade, desse "mundo" que criamos, temos sim propósito. Mas o propósito é criado por nós mesmos. Não é algo "dado", sobrenatural.

É tudo perfeitamente natural, tudo seguindo regras da física, como qualquer outro fenômeno do universo. Obviamente não conhecemos todas as regras que regem todos os espaços do nosso universo, mas nossas pesquisas caminham nesse sentido. A cada nova descoberta, as teorias vão sendo aprimoradas. Algumas caem por terra, outras são criadas para suprir as novas necessidades.

Um ensaio recente de Pascal Boyer afirma que a religião é fruto da evolução humana. Na linha do que foi dito, o sobrenatural foi inventado pelo Homo sapiens ao longo da nossa evolução. Isso foi extremamente importante quando precisávamos nos esconder de predadores, nos manter unidos sob pena de sermos devorados. Hoje, ainda mantemos esses genes. É natural o sujeito ter uma religião, ter fé e crer em coisas sobrenaturais, mas nosso outro atributo, a capacidade de utilizar a razão e ponderar fatos e explicações, nos mostra que o sobrenatural não passa disso: crença.

Não condeno os religiosos. Não condeno a fé, a necessidade que muitos têm de buscar conforto e/ou sentido para a própria vida nas páginas de algum livro milenar escrito por autores que não se conheceram contando histórias de guerra, sexo e morte. Só acho que uma crença cega de que esses livros contém toda a verdade, tudo aquilo que alguém deva saber na vida, é uma crença que limita o sujeito. E, limitado, esse sujeito irá querer limitar os que estão ao seu redor da mesma forma.

De toda forma, o sobrenatural é inventado. Como eu disse, não há propósito “dado” para nossa vida. O propósito somos nós quem nos damos. E o meu propósito é fazer de tudo para ser justo. Meu propósito é procurar mostrar a todos à minha volta o quanto nossa vida é maravilhosa, sem a necessidade de apelar para o sobrenatural. O simples fato de estarmos vivos, pensando, nos movimentando, falando, tendo relações, já é digno de adoração. Não precisamos do sobrenatural.

Como disse no título desse post, nosso propósito aqui é simplesmente existir. O resto é cultural.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Sherlock Holmes

Hoje vi “Sherlock Holmes”. Muito bom o filme, do tipo que eu curto mesmo. Adoro a maneira como ele usa a ciência pra derrubar todo e qualquer indício de atividade sobrenatural.

E o filme em si está muito bom, também, eles conseguiram fazer uma luta na Tower Bridge ainda em construção. Muito, muito legal! As cenas de vários lugares de Londres que eu visitei, mas que no filme estão como se fosse no século XIX. (Aqui acrescento que me arrepio toda vez que vejo qualquer cena de Londres na tela grande.)

Muito foda, muito recomendado!

Aproveita. Essa é a única que você vai ter.

A crença na vida após a morte só tem, ao meu ver, uma explicação: o medo. O medo do fim, medo de que sua vida insignificante e improdutiva tenha sido sua única chance de cravar seu nome no hall da fama da humanidade. Diante da certeza de que, nesta vida, não conseguirá atingir seus objetivos, o sujeito fantasia que haverá segunda, terceira, quarta chances para fazê-lo.

O cérebro humano tem 100 bilhões de neurônios. Ligados e interligados das mais diferentes formas, com capacidade de transformação ao longo da vida, esses neurônios podem formar uma infinidade de caminhos diferentes para o impulso elétrico, que são traduzidos em nossa consciência, atos, vontades, emoções e lembranças. É uma complexidade enorme, que nos possibilita fazer tudo o que fazemos hoje, o que me possibilita escrever esse texto, depois de ouvir “Enter Sandman” do Metallica e começar a divagar sobre a morte e a vida.

Mas toda essa nossa capacidade intelectual e toda nossa habilidade manual com nossos membros dotados de um polegar opositor não significa que temos algo de sobrenatural. Não significa que nossa personalidade será mantida após nossa morte para ser transferida para outro corpo, outro cérebro em outra época. Cada ser é único, e é isso o fascinante da vida. Cada ser é uno, jamais haverá outro igual, ainda que seja gêmeo univitelino de outro. Cada ser tem sua própria rede de conexões neurais, sua própria composição muscular, e, portanto, seus próprios gostos, seu próprio estilo, sua própria personalidade, sua própria capacidade para exercícios físicos.

Sua chance de fazer algo é essa. Não haverá outra. Karma, céu, inferno, reencarnação, alma, vida após a morte, isso é tudo balela, tudo conversa pra boi dormir, tudo fruto da grande e fértil imaginação humana, possível graças justamente a essa complexidade que já falei.  A realidade é que se você não fizer nada nessa vida que vive hoje, não vai ter outra chance de fazê-lo.

Então, levanta essa bunda daí, vá fazer algo, vá ler, vá escrever, vá ouvir música, vá ver um filme, vá aproveitar que está vivo. Sinta todos os membros, todos os pedaços que compõem seu corpo. Toma conhecimento do incrível ecossistema que é você. Toma conhecimento da incrível complexidade que forma cada pedacinho de você. Sinta-se orgulhoso de ser fruto de bilhões e bilhões de anos de evolução física, química e biológica. Sinta-se parte disso tudo que está à sua volta.

Não somos todos um só, mas somos todos parte de um algo maior. E esse algo maior não tem nada de sobrenatural. Não precisamos de sobrenatural quando temos já tudo o que é natural.

Nós fazemos parte da vida.

domingo, janeiro 17, 2010

Cuidado!

Fuja dos “formadores de opinião” da internet. Eles são muitos, andam – ainda que virtualmente - em bando e costumam atacar com suas verdades absolutas e incontestáveis. Atacam em comentários de blogs, no twitter, no google reader e onde mais puderem expressar sua opinião que, na verdade, é nada menos do que o gabarito da prova, a verdade, aquilo que ninguém vê, só o cidadão que a emite.

Corra. Fuja para as colinas. Eles estão à solta em todo o ciber-espaço. Se frequenta os mesmos ciber-lugares, provavelmente você já topou com um deles, se ainda não se converteu em um.

Como em Sidarta, de Herman Hesse, “acautela-te contra o excesso de inteligência”.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Movies!

The Coen Brothers are really amazing. This week I’ve watched for the third time (first time after 20’s) “O Brother, where art thou”, for the second time “Burn after reading” and for the first time “Barton Fink” and “No Country for Old Men”. Yes, this is being a very culturally productive week.

My goal for this year is to watch every movie from the brothers. Not necessarily in the same order it has been producted, but I want to see’em all. Another goal is to watch the whole Tarantino filmography. I know very little of his work, but I like very much every second of his films.

If 2009 was the year of musical discoveries, I want 2010 to be the year that I’ll get to know the work of the best directors of our generation. 2010 is the cinema year in the life of Leandro Gonçalves.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Inaugurando 2010

Esse ano começou caótico, tenso, cheio de tragédias.

Mas bola pra frente, fiz muitos planos e pretendo realizar todos!