sexta-feira, janeiro 29, 2010

Projeções

Estamos chegando ao fim do primeiro mês de 2010. Não é mais um ano recém-nascido, já é crescidinho, faz malcriação e muitas vezes deve ser repreendido. Aproxima-se da adolescência e em breve já estará na maioridade.

E, mesmo assim, ainda não fiz meus planos pra esse ano. Quando escrevi sobre isso em 2009 não imaginava 10% do que iria me acontecer nos próximos 365 dias. E, de fato, como esperado, quase nada do que escrevi se realizou, salvo valorizar meus amigos e conhecer um pouco mais de mim mesmo.

Então vamos lá: repito os votos de 2009, quero valorizar ainda mais minhas amizades. Quero valorizar todos aqueles que gostam da minha companhia e que me fazem bem. Ao final de 2010 quero olhar pra trás e ver que estou mais próximo de todos aqueles que valem a pena.

Agora, iniciando 2010 em uma situação inédita – trabalhando com meu pai no consultório –, espero terminá-lo de forma também inédita, tendo a possibilidade de sair de casa, morar em meu próprio espaço, pagar minhas contas sem ajuda e fazer com ele o que eu bem entender. Sei que pra isso se tornar possível ainda há muito o que trabalhar. Além disso, preciso pegar firme na faculdade pra ver se consigo terminar ao final de 2011. Mas quero desde já registrar essa intenção pra que ela não fique esquecida com o tempo e os meses.

Tenho aquele velho sonho de realizar um intercâmbio. Não vou desistir, mas não posso viver a serviço desse sonho. Pretendo prestar mais e mais bolsas de cooperação internacional dentro e fora da USP. Preciso muito desse complemento. Quero me virar sozinho em algum lugar estranho, aperfeiçoar minha compreensão de línguas estrangeiras e abrir portas para que, no futuro, eu possa retornar – seja a passeio, seja a trabalho.

Tá na hora de virar adulto no sentido estrito. Farei-o com ou sem intercâmbio. Se for necessário, espero até o mestrado ou doutorado. Quero ir antes disso, mas não dá mais pra adiar nada.

Quero voltar firme ao Aikido, também, pra conseguir ainda esse ano a tão sonhada faixa marrom, prometida pra 2009, mas que deve sair mesmo só esse ano. Espero que o Aikido, agora sem Kawai Sensei, siga o princípio de seu próprio nome e passe a ter praticantes e associações mais unidas. O caminho é a união, não a segregação, como tem sido tendência. Espero que tenhamos aprendido o que Kawai Sensei nos ensinou.

E, como sempre, espero entrar em 2011 melhor do que em 2010. Mais feliz, mais seguro, mais saudável e tudo o mais. E, como é ano de copas, dá-lhe Brasil na Copa do Mundo, dá-lhe São Paulo Futebol Clube na Libertadores e no Mundial, e dá-lhe Bio-USP na primeira divisão da Copa USP!!

Puta merda, tô atrasado.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Uma homenagem a Kawai Sensei

É com grande pesar que comunico o falecimento do nosso grande mestre, Kawai sensei. Faleceu na noite de 26/01/2010 e será velado e enterrado hoje, dia 27/01, conforme dados a seguir:

CEMITÉRIO DE CONGONHAS
AV. MIN. ALVARO DE SOUZA LIMA, 101 ( JD MARAJOARA) - PRÓX AV INTERLAGOS
VELÓRIO A PARTIR DAS 7HS
ENTERRO AS 17HS

Hoje acordei com esse e-mail em minha caixa de entrada. Estou chocado com o ocorrido, Kawai Sensei sempre foi um exemplo de vitalidade e força pra mim. Tive a oportunidade de treinar com ele algumas vezes, não tanto quanto eu gostaria, mas foi o suficiente pra tê-lo como Mestre.

Kawai Sensei foi aluno de O Sensei Morihei Ueshiba, fundador do Aikido. Foi ele quem trouxe a arte ao Brasil. Foi mestre do Nagao Sensei, meu mestre.

Kawai Sensei recentemente tinha se recuperado de uma situação que poucos acreditavam. Estava forte, ágil, sábio. Mas era um homem, e como todo homem, um dia não conseguiu vencer a própria natureza, e partiu. Deixou-nos em corpo, mas o que ele fez continua. Sua obra será sempre lembrada por aqueles que fazem o Aikido na América Latina.

Eu tenho um pouco de Kawai Sensei no meu Aikido. Todos aqueles que um dia já treinaram com ele ou o viram em alguma demonstração têm um pouco de Kawai Sensei. É assim que ele se mantém imortal.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Dica de cinema

Não veja “Onde moram os monstros”. É muito, muito chato.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Nosso propósito é simplesmente existir

Admito que toquei aqui em um assunto deveras complicado e polêmico, que envolve fé - o que por si só já o torna algo extremamente difícil.

Senti-me envaidecido com minhas idéias sendo rebatidas pelos leitores. Isso valoriza a discussão e tudo aquilo que está envolvido, como por exemplo as nossas opiniões.

Cada um tem o direito de acreditar e viver de acordo com preceitos e valores que bem entende. Podemos concordar ou discordar em parte ou inteiramente um do outro. Como foi dito no comentário do outro post, assim é a vida. Assim é a vida justamente porque temos essa capacidade de ter opiniões e discutí-las.

Realmente não acredito que haja um propósito para a nossa vida. Acredito na hipótese de que a vida é um fenômeno natural, próprio de ambientes como o nosso, rico em átomos aptos a formar cadeias (como Carbono, no nosso caso, ou Silício) e, com isso, química orgânica, com um ambiente líquido (no nosso caso, água), e rico em energia.

Isso não reduz a importância da vida. Ao meu ver, é justo o contrário: engrandece. Estarmos aqui discutindo como seres frutos do acaso, da energia que fez vida a partir de compostos que caminham contra a tendência da própria entropia, que evoluiu em direção à complexidade que experimentamos hoje... é, pra mim, fascinante.

E essa falta de propósito não significa que não devemos ter valores e princípios. Vivemos em sociedade, escolhemos nos primórdios de nossa espécie viver assim. Dentro dessa sociedade, desse "mundo" que criamos, temos sim propósito. Mas o propósito é criado por nós mesmos. Não é algo "dado", sobrenatural.

É tudo perfeitamente natural, tudo seguindo regras da física, como qualquer outro fenômeno do universo. Obviamente não conhecemos todas as regras que regem todos os espaços do nosso universo, mas nossas pesquisas caminham nesse sentido. A cada nova descoberta, as teorias vão sendo aprimoradas. Algumas caem por terra, outras são criadas para suprir as novas necessidades.

Um ensaio recente de Pascal Boyer afirma que a religião é fruto da evolução humana. Na linha do que foi dito, o sobrenatural foi inventado pelo Homo sapiens ao longo da nossa evolução. Isso foi extremamente importante quando precisávamos nos esconder de predadores, nos manter unidos sob pena de sermos devorados. Hoje, ainda mantemos esses genes. É natural o sujeito ter uma religião, ter fé e crer em coisas sobrenaturais, mas nosso outro atributo, a capacidade de utilizar a razão e ponderar fatos e explicações, nos mostra que o sobrenatural não passa disso: crença.

Não condeno os religiosos. Não condeno a fé, a necessidade que muitos têm de buscar conforto e/ou sentido para a própria vida nas páginas de algum livro milenar escrito por autores que não se conheceram contando histórias de guerra, sexo e morte. Só acho que uma crença cega de que esses livros contém toda a verdade, tudo aquilo que alguém deva saber na vida, é uma crença que limita o sujeito. E, limitado, esse sujeito irá querer limitar os que estão ao seu redor da mesma forma.

De toda forma, o sobrenatural é inventado. Como eu disse, não há propósito “dado” para nossa vida. O propósito somos nós quem nos damos. E o meu propósito é fazer de tudo para ser justo. Meu propósito é procurar mostrar a todos à minha volta o quanto nossa vida é maravilhosa, sem a necessidade de apelar para o sobrenatural. O simples fato de estarmos vivos, pensando, nos movimentando, falando, tendo relações, já é digno de adoração. Não precisamos do sobrenatural.

Como disse no título desse post, nosso propósito aqui é simplesmente existir. O resto é cultural.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Sherlock Holmes

Hoje vi “Sherlock Holmes”. Muito bom o filme, do tipo que eu curto mesmo. Adoro a maneira como ele usa a ciência pra derrubar todo e qualquer indício de atividade sobrenatural.

E o filme em si está muito bom, também, eles conseguiram fazer uma luta na Tower Bridge ainda em construção. Muito, muito legal! As cenas de vários lugares de Londres que eu visitei, mas que no filme estão como se fosse no século XIX. (Aqui acrescento que me arrepio toda vez que vejo qualquer cena de Londres na tela grande.)

Muito foda, muito recomendado!

Aproveita. Essa é a única que você vai ter.

A crença na vida após a morte só tem, ao meu ver, uma explicação: o medo. O medo do fim, medo de que sua vida insignificante e improdutiva tenha sido sua única chance de cravar seu nome no hall da fama da humanidade. Diante da certeza de que, nesta vida, não conseguirá atingir seus objetivos, o sujeito fantasia que haverá segunda, terceira, quarta chances para fazê-lo.

O cérebro humano tem 100 bilhões de neurônios. Ligados e interligados das mais diferentes formas, com capacidade de transformação ao longo da vida, esses neurônios podem formar uma infinidade de caminhos diferentes para o impulso elétrico, que são traduzidos em nossa consciência, atos, vontades, emoções e lembranças. É uma complexidade enorme, que nos possibilita fazer tudo o que fazemos hoje, o que me possibilita escrever esse texto, depois de ouvir “Enter Sandman” do Metallica e começar a divagar sobre a morte e a vida.

Mas toda essa nossa capacidade intelectual e toda nossa habilidade manual com nossos membros dotados de um polegar opositor não significa que temos algo de sobrenatural. Não significa que nossa personalidade será mantida após nossa morte para ser transferida para outro corpo, outro cérebro em outra época. Cada ser é único, e é isso o fascinante da vida. Cada ser é uno, jamais haverá outro igual, ainda que seja gêmeo univitelino de outro. Cada ser tem sua própria rede de conexões neurais, sua própria composição muscular, e, portanto, seus próprios gostos, seu próprio estilo, sua própria personalidade, sua própria capacidade para exercícios físicos.

Sua chance de fazer algo é essa. Não haverá outra. Karma, céu, inferno, reencarnação, alma, vida após a morte, isso é tudo balela, tudo conversa pra boi dormir, tudo fruto da grande e fértil imaginação humana, possível graças justamente a essa complexidade que já falei.  A realidade é que se você não fizer nada nessa vida que vive hoje, não vai ter outra chance de fazê-lo.

Então, levanta essa bunda daí, vá fazer algo, vá ler, vá escrever, vá ouvir música, vá ver um filme, vá aproveitar que está vivo. Sinta todos os membros, todos os pedaços que compõem seu corpo. Toma conhecimento do incrível ecossistema que é você. Toma conhecimento da incrível complexidade que forma cada pedacinho de você. Sinta-se orgulhoso de ser fruto de bilhões e bilhões de anos de evolução física, química e biológica. Sinta-se parte disso tudo que está à sua volta.

Não somos todos um só, mas somos todos parte de um algo maior. E esse algo maior não tem nada de sobrenatural. Não precisamos de sobrenatural quando temos já tudo o que é natural.

Nós fazemos parte da vida.

domingo, janeiro 17, 2010

Cuidado!

Fuja dos “formadores de opinião” da internet. Eles são muitos, andam – ainda que virtualmente - em bando e costumam atacar com suas verdades absolutas e incontestáveis. Atacam em comentários de blogs, no twitter, no google reader e onde mais puderem expressar sua opinião que, na verdade, é nada menos do que o gabarito da prova, a verdade, aquilo que ninguém vê, só o cidadão que a emite.

Corra. Fuja para as colinas. Eles estão à solta em todo o ciber-espaço. Se frequenta os mesmos ciber-lugares, provavelmente você já topou com um deles, se ainda não se converteu em um.

Como em Sidarta, de Herman Hesse, “acautela-te contra o excesso de inteligência”.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Movies!

The Coen Brothers are really amazing. This week I’ve watched for the third time (first time after 20’s) “O Brother, where art thou”, for the second time “Burn after reading” and for the first time “Barton Fink” and “No Country for Old Men”. Yes, this is being a very culturally productive week.

My goal for this year is to watch every movie from the brothers. Not necessarily in the same order it has been producted, but I want to see’em all. Another goal is to watch the whole Tarantino filmography. I know very little of his work, but I like very much every second of his films.

If 2009 was the year of musical discoveries, I want 2010 to be the year that I’ll get to know the work of the best directors of our generation. 2010 is the cinema year in the life of Leandro Gonçalves.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Inaugurando 2010

Esse ano começou caótico, tenso, cheio de tragédias.

Mas bola pra frente, fiz muitos planos e pretendo realizar todos!