quarta-feira, janeiro 20, 2010

Aproveita. Essa é a única que você vai ter.

A crença na vida após a morte só tem, ao meu ver, uma explicação: o medo. O medo do fim, medo de que sua vida insignificante e improdutiva tenha sido sua única chance de cravar seu nome no hall da fama da humanidade. Diante da certeza de que, nesta vida, não conseguirá atingir seus objetivos, o sujeito fantasia que haverá segunda, terceira, quarta chances para fazê-lo.

O cérebro humano tem 100 bilhões de neurônios. Ligados e interligados das mais diferentes formas, com capacidade de transformação ao longo da vida, esses neurônios podem formar uma infinidade de caminhos diferentes para o impulso elétrico, que são traduzidos em nossa consciência, atos, vontades, emoções e lembranças. É uma complexidade enorme, que nos possibilita fazer tudo o que fazemos hoje, o que me possibilita escrever esse texto, depois de ouvir “Enter Sandman” do Metallica e começar a divagar sobre a morte e a vida.

Mas toda essa nossa capacidade intelectual e toda nossa habilidade manual com nossos membros dotados de um polegar opositor não significa que temos algo de sobrenatural. Não significa que nossa personalidade será mantida após nossa morte para ser transferida para outro corpo, outro cérebro em outra época. Cada ser é único, e é isso o fascinante da vida. Cada ser é uno, jamais haverá outro igual, ainda que seja gêmeo univitelino de outro. Cada ser tem sua própria rede de conexões neurais, sua própria composição muscular, e, portanto, seus próprios gostos, seu próprio estilo, sua própria personalidade, sua própria capacidade para exercícios físicos.

Sua chance de fazer algo é essa. Não haverá outra. Karma, céu, inferno, reencarnação, alma, vida após a morte, isso é tudo balela, tudo conversa pra boi dormir, tudo fruto da grande e fértil imaginação humana, possível graças justamente a essa complexidade que já falei.  A realidade é que se você não fizer nada nessa vida que vive hoje, não vai ter outra chance de fazê-lo.

Então, levanta essa bunda daí, vá fazer algo, vá ler, vá escrever, vá ouvir música, vá ver um filme, vá aproveitar que está vivo. Sinta todos os membros, todos os pedaços que compõem seu corpo. Toma conhecimento do incrível ecossistema que é você. Toma conhecimento da incrível complexidade que forma cada pedacinho de você. Sinta-se orgulhoso de ser fruto de bilhões e bilhões de anos de evolução física, química e biológica. Sinta-se parte disso tudo que está à sua volta.

Não somos todos um só, mas somos todos parte de um algo maior. E esse algo maior não tem nada de sobrenatural. Não precisamos de sobrenatural quando temos já tudo o que é natural.

Nós fazemos parte da vida.

3 comentários:

Lucci disse...

O sobrenatural foi criado pelo ser humano como um conforto! Existe apenas para aliviar a dor e facilitar (ou acredito eu complicar) nossas vidas.

Gui disse...

O medo é natural do ser humano, aliás, nós tomamos todas as nossas atitudes por medo ou por amor, isso é irrefutável.
Essa linha natural da vida é fato, nascemos, vivemos e biologicamente morreremos um dia.
Destino, karma, seja lá o que for são só nomes, pra alguns crença, mas eu estou aqui por um propósito, alguma coisa eu preciso fazer e fica a meu critério fazê-lo bem ou não, fica a meu critério a forma que eu serei lembrado depois de morrer.
O homem precisa trabalhar melhor a harmonia entre Corpo e Mente, Emocional e Racional, tudo "é" pq pensamos, desjamos e jogamos ao universo para que aconteça.
Eu luto com os meus neurônios, citados no seu texto, para que de alguma forma me tire um pouco do EU INFERIOR, já fiz muito disso, inclusive escrevendo, mas percebo que a natureza autôma dos campos da consciência é muito vasto e requer mto treinamento da minha parte.
Velho, concordo com vc na parte de "Hey! Acorda, a vida é agora. FAÇA alguma coisa." e discordo de outras, mas a vida é assim mesmo.
Parabéns pelo texto e a forma como defende o seu ponto de vista.

Leandro Gonçalves disse...

Gui, agradeço pelo seu comentário e exposição de ponto de vista.

Vou responder a esse comentário em um novo post, já a caminho da publicação.

Gostaria de continuar contando com sua visita e sua opinião acerca do que exponho aqui.