sexta-feira, abril 23, 2010

Comentários que causam polêmica nas aulas de Didática

Sim, estou fazendo a matéria de Didática.

E minha maior diversão é soltar comentários que fazem os radicais da FFLCH ficarem nervosíssimos e soltarem os cachorros pra cima de mim.

O primeiro deles foi há duas semanas, enquanto todos questionavam como lidar com a Educação em um tempo em que o “Mercado” é o centro de tudo e quer os alunos preparados para seguirem ordens e não para pensar criticamente. Eu disse:

“Mas o que vocês não entendem é que o Mercado não é assim tão ruim. Todos nós estamos aqui hoje pra poder no futuro entrar no Mercado. E o Mercado quer, sim, gente que pensa criticamente. Esses serão os chefes de amanhã, não serão que nem Chaplin em ´Tempos Modernos`. O Mercado quer, sim, gente que pensa criticamente. Vamos parar de ver o Mercado como um monstro comedor de criancinhas".”

Foi um auê só. Lá se foi a aula, o tema, a discussão, todo mundo só queria bater no Mercado, uns diziam que “o Mercado não perdoa”, outros “você não sabe do que está falando”. Eu só ria daqueles que nunca estiveram lá e têm uma visão extremamente idealizada do tal “Mercado” que eles até escrevem com letra maiúscula. Duvido que, amanhã, não estejam todos lá loucos para entrar nesse monstro de 7 cabeças.

Outro comentário foi ontem, quando discutíamos projetos em grupo para serem aplicados para classes de Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Um dos grupos da sala (que tinha alunos de Enfermagem) sugeriu que se fizesse um trabalho sobre vacinas, explicando sua importância, como age no organismo, e depois uma contextualização da história, mencionando a Revolta da Vacina, etc. Um outro grupo (basicamente composto por alunos de História), criticou dizendo que esse projeto era “doutrinação”, que “não ensinava o aluno a pensar”, que “deveria expor também argumentos contrários à vacinação”. Fiquei pasmo. Não exitei, levantei a mão e soltei:

Vou ser muito criticado pelo que vou falar. Mas eu acredito que, quando o assunto é saúde pública, tem que ser doutrina, mesmo. Arbitrário. Não pode dar escolha para o indivíduo quando a saúde da população está em jogo. Você não pode dar argumentos contrários para a vacinação, pois se não você cria a falsa crítica, de gente que simplesmente vai achar bonito ser crítico e não vai tomar a vacina, colocando em risco toda a população.”

Novo auê na sala. Gente me perguntando meu curso, dizendo que o certo é ser crítico mesmo, gente me ofendendo, essas coisas todas. Até que a professora cortou a discussão por medo do que viria por aí. Não pude falar mais sobre isso, mas creio que me fiz claro. Se você aparece num posto de saúde com uma doença extremamente contagiosa que ninguém sabe como trata, você não vai ter escolha, colega. Vai pra quarentena, ficar longe da sua vida, e nada poderá ser feito até que estudem o que você tem e descubram uma maneira de evitar uma epidemia.

A grande questão aqui é que, quando os interesses coletivos estão em jogo, pouco importa seus interesses de indivíduo. Vivemos em sociedade e, portanto, abrimos mão de vontades pessoais pelo bem comum. Isso já acontece em muitas áreas, mas pelo visto tem gente que prega mesmo é o egoísmo. O indivíduo sobrepondo o coletivo. E isso, sim, me deixou bastante nervoso.

Mas terei mais oportunidades de irritar fanáticos marxistas. Vou postando aqui conforme as provocações forem avançando.

2 comentários:

Marina disse...

Isso tudo é raiva das pessoas da História? Algo pessoal? Ta dizendo que todas as pessoas da História são fanáticos marxistas? Vc por acaso sabe dizer o q isso significa? O que é ser fanático marxista? Pensar criticamente o mundo é ser fanático marxista? Contextualizar fatos historicamente é ser fanático marxista? E vc? O que vc entende desse tal mercado? Que vc tem uma visãode dentro, eu não tenho dúvida. Agora, que tal, entã, ler o capítulo 1 do Capital? Talvez depois vc pare de chamar as pessoas de fanaticas marxistas. Marx é mal lido, pro bem e pro mal. Então, que tal le-lo antes de sair chamando os outros de fanaticos marxistas? Juntar à sua visão de dentro do mercado, uma visão crítica me parece uma boa forma de não cair em extremismos pra nenhum dos lados. Eu não estava na aula, mas pelo o que vc escreveu, vc não entendeu o que eles quiseram dizer. Ninguem disse que vacina não é bom, que não devemos tomar.... Mas que devemos fazer as crianças pensarem por si mesmas. O que vc sabe de interesses coletivos se sobreporem aos individuais? EM que medida, o mercado atende mais aos intereses coletivos que aos individuais? Sabe outro dia peguei o caderno das aulas do Zé Sergio, e achei umas conversas nossas escritas nele. Eu dizia q estava começando a pensar em por meus filhos no Fernão Dias. A sua resposta: "ele me faz querer lutar pela escola pública, mas não acreditar nela e usar os seus serviços". Tem algo errado aí, não? Pensa comigo: como vc luta por algo que não utiliza? É tão hi´pócrita quanto fazer campanha pra um candidato, mas não votar nele. Enfim, deixe de agredir gratuitamente os "fanaticos marxistas" e ve se aprende algo com eles, pq eu ja vi que os quatro anos q tentei te fazer pensar e ver o mundo de outra forma, foram inuteis.

Leandro Gonçalves disse...

Se o mercado é tão ruim, porque todos querem entrar nele?

E, se quer saber, tinha pessoas da História lá que você conhece que depois vieram me dizer que concordavam com o que eu disse.

Então, por favor, não entenda errado.

Só acho que bater em tudo e em todos não é a melhor forma de conseguir o que desejam.