quinta-feira, julho 15, 2010

Falando de política

Hora de almoço mais um dia.
Vou tentar criar essa rotina de escrever enquanto a marmita esquenta no banho-maria.

Hoje vou falar de política. Estamos em uma época propícia para tal, e agora já começou oficialmente o período de campanha, então o que eu escrever aqui não vai me render multas.

Em 2002, falei também sobre eleições aqui, mas não abri meu voto. Era óbvio que eu ia votar no Lula, mas não queria falar. Ainda tinha vergonha disso, pensando que não era uma coisa muito comum no meio onde vivia (e ainda vivo). Hoje, oito anos depois, não tenho mais isso. Acredito que o legal é a gente ser aberto, falar mesmo, já que não é vergonha nenhuma quando a gente vota com razões suficientes.

Para presidente, a escolha é fácil: Dilma Roussef. Aqui onde trabalho, a escolha geral é Marina Silva, e eu compreendo as razões. Mas escolho Dilma também porque não quero ver Serra assumindo a presidência e acabando com todos os avanços da administração Lula.

Por todos os números da economia do país, por todos os milhões de brasileiros que saíram da linha de pobreza absoluta, por todas as ações sociais, sem esquecer do desempenho internacional do país nos últimos 8 anos, pelas conquistas dos maiores eventos mundiais aqui, pelo PAC, pelo Pré-Sal, pela simplicidade e humildade do Lula, pela capacidade que ele tem de falar a todos os brasileiros sem exceção, pela trajetória, pela posição pelos mais necessitados. Por tudo isso, votei em Lula em 2002 e 2006. Por tudo isso, voto na continuidade de Dilma Roussef em 2010.

E, também, pelo fato de termos a possibilidade de uma mulher ocupar o principal cargo da nação. E isso não é pouca coisa. As mulheres já têm estado em alta há tempos, desde as revoluções do século passado, o auge no Brasil será a partir de 2011, quando teremos uma “Presidenta”.

Serra não tem propostas, não tem projeto, não tem discurso. Está na mesma situação que Lula estava em 1994, quando o Plano Real não deixava dúvidas que FHC seria eleito ainda no primeiro turno. A aprovação recorde do presidente operário o torna o melhor cabo eleitoral da história da nossa democracia. Serra, quando fala, prefere atacar a Bolívia e a Venezuela a falar mal de Lula. Sabe que isso não é vantajoso. O PSDB inclusive tem falado em punir seus candidatos a governos que associem suas imagens a Dilma. Se chegou a esse ponto, é porque nem os tucanos acreditam no Serra. Em Minas Gerais, o caso é emblemático: o fenômeno “Dilmasia”, que prega votar em Anastasia (PSDB), candidato de Aécio Neves, para Governador, e em Dima (PT), candidata de Lula, para Presidente. É ou não é uma situação muito complicada para Serra?

Outra coisa é o vice, Índio da Costa. Higienista, já quis proibir até as esmolas no Rio. Com um vice desses, teremos novamente a velha prática de expulsar os mendigos das ruas, como fizeram D. Pedro I nas ruas do Rio, e José Serra e Gilberto Kassab em São Paulo? Veremos as rampas anti-mendigo em escala nacional? Vou parar por aqui, pois se continuar, o texto vai ser só sobre ele.

E tem a Marina Silva. A escolha por Marina é um voto de opinião. Respeito muito. Mas, como bem disse Mino Carta no editorial da semana passada de Carta Capital, um voto em Marina é um voto em Serra, pois Marina e Dilma dividem um público em comum, que é proveniente das esquerdas do país, preocupado com as questões socioambientais. Sem dúvida Marina tem mais preparo na área ambiental do que Dilma, mas o governo não é feito só desse pilar. A pressão do cargo é muito grande e, se Marina não aguentou o Ministério do Meio Ambiente, entregando o cargo, será que teria força suficiente para levar a Presidência? Gostaria, sim, de vê-la participando do governo, mas não no cargo máximo. Concordo com as ideias dela, quero vê-la trabalhando em prol do meio-ambiente. Não poderia ser diferente, uma vez que é justamente isso que eu faço, e é justamente na mesma luta que eu me incluo. Mas não posso tirar um voto da Dilma e colocar na Marina, favorecendo Serra para um possível segundo-turno das eleições.

Agora, para governador, é mais complicado. Tudo indica que teremos uma vitória de Geraldo Alckmin em primeiro turno. Como já era de se esperar, pois quando a situação é boa, o continuísmo sempre vem muito forte. Como eu não sei como faz na urna o número do PSDB, para o Governo do Estado vou dar meu voto de opinião: Feldman (PV). Simplesmente não tenho alicerce moral para votar no Mercadante (PT), que se demonstrou sem personalidade e um candidato muito, muito fraco. Votar no PV é sinalizar que simpatizo com as ideias do partido, e que o rumo deles é um que eu aprovo.

Para deputado federal e senador, a dúvida maior. Não faço a mais vaga ideia de quem receberá meu precioso voto. Confesso que nem conheço os candidatos, tomei contato com um deles hoje, mas em outra oportunidade eu falo mais. Agora é pesquisar fichas corridas, trajetórias de vida e intenções de trabalho quando eleitos.

Com o perdão de encerrar o assunto pela metade, peço licença, pois agora a marmita deve estar já no ponto ideal para seu consumo. Outro dia continuo esse papo.

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