quarta-feira, julho 14, 2010

o Rei

Poucas descobertas musicais me influenciaram tanto quanto as pérolas da Jovem Guarda. Falo especificamente dos primeiros albums de Roberto Carlos, além, é claro, da sequência matadora de três albums de Ronnie Von.

Hoje vou falar do Rei. Roberto Carlos sempre foi sinônimo de brega pra mim. Até começar a ouvir o disco “Em ritmo de aventura”. A partir daí, passei a colecionar pérolas em mp3 do Rei, até ser convencido a chamá-lo pela alcunha eternizada pela Globo. Então, fiz um CD com as que eu mais gosto. Claro, em um CD comum não cabem muitas músicas. Mas as que entraram foram as seguintes:
  • Parei na contra-mão – música engraçadinha de um playboy dos anos 60 com sua caranga azarando um broto. Ponto alto: “acho que esse guarda nunca se apaixonou, pois minha carteira o malvado levou”
  • Negro-gato – ele se descreve como um negro gato de arrepiar, que conta uma história de amargar. É interessante ver o Rei nessa pose toda. Ponto alto: gritinhos de uóu em meio aos versos e a voz de malvado de Roberto Carlos.
  • Eu sou terrível – mesmo tema da anterior. Ele é terrível. Melhor não provocar se você for um broto. Ponto alto: “você não sabe de onde venho, o que eu sou e o que eu tenho”
  • É proibido fumar – “ma-conha!” ponto de partida do Skank, essa é clááááássica. Ponto alto: “eu pego uma garota e canto uma canção, nela dou um beijo com empolgação, do beijo sai faísca e a turma toda grita que o fogo pode pegar, AU!”
  • Quero que vá tudo para o inferno – música que o TOC do Rei não o deixa mais cantar, é uma bela e paradoxal declaração de amor. Bem propícia para esses dias frios de inverno. Ponto alto: “quero que você me aqueça nesse inverno, e que tudo mais vá pro inferno!”
  • Detalhes – uma das músicas-ícone do Rei. É realmente uma melodia muito bonita, mas ouvindo bem a letra, é de uma filhadaputice sem igual. Ponto alto: “se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada, não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada”
  • Ilegal, imoral ou engorda – RC junkie. Ponto alto: “tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda”.
  • Namoradinha de um amigo meu – Situação, hein, colega? O camarada se apaixona pela namorada de um amigo. Ponto alto: “o que é dos outros não se pode ter”
  • Não vou ficar – um grito de desabafo. O importante aqui é a atitude de falar. Um pé na bunda do Rei. Ponto alto: “pensando bem, não vale a pena-a ficar tentando em vão, o nosso amor não tem mais condição não, não, não, não, não, NÃO...”
  • Calhambeque – mais uma música de um playba dos anos 60 azarando brotos. Ponto alto: “olhando para o lado com cara de malvado...”
  • Eu te amo, te amo, te amo – uma história de amor à distância em tempos sem internet. Ponto alto: “maaaas o dia que eeeu puder lhe encontrar eu quero mostrar o quanto sofri por todo esse tempo que eu quis te falar... eu te amo, eu te amo, eu te amo...”
  • As curvas da estrada de Santos – mais uma de playba com sua caranga. Mas essa é de um playba com problemas amorosos que ameaça se matar nas curvas da estrada de Santos. Ponto alto: “você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim, e que na minha idade só a velocidade anda junto a mim”
  • Por isso corro demais – tempos de ruas e avenidas sem radares. Playboyzada dos anos 60 acelerando e achando que isso é prova de amor. Interessante ver o Rei como um adolescente. Ponto alto: sons de motor acelerando
  • Emoções – O Rei dos anos 90. Nosso Frank Sinatra. É uma reflexão bem bacana sobre a vida do próprio, que pode ser estendida às nossas vidas. Ponto alto: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”
  • É preciso saber viver – Música de retomada da carreira dos Titãs depois da queda pós-sucesso do acústico MTV. Outra música que teve a letra mudada pelo TOC. E é uma verdade. Ponto alto: “Se o bem e o mal existem, você deve escolher, é preciso saber viver”
  • Traumas – Minha reflexiva preferida. Só ouvindo e sentindo mesmo. Ponto alto: “meu pai um dia me falou pra que eu nunca mentisse, mas ele também se esqueceu de me dizer a verdade”.
Muito dessa minha repulsa inicial pelo Rei veio do mesmo motivo pelo qual eu hoje o admiro muito: meu pai é um grande fã do Roberto. Mas eu sempre escutei as músicas pós-Erasmo Carlos. Cá entre nós, a fase religiosa dele é terrível. Agora, as fases rock’n’roll, black e jazz dele são realmente muito boas. A primeira pela ingenuidade e humor. A segunda, pelo ritmo e a terceira pela grande música que ele conseguiu fazer, no mesmo nível dos grandes intérpretes internacionais. É por isso que o chamam de Rei: ele conseguiu migrar por diversos estilos, sempre mantendo a majestade musical. Ele tem uma voz afinadíssima, além de um carisma incomparável.
Claro, tem muitas outras músicas que poderiam estar no CD, também, mas essas foram as que couberam. Ainda não tenho um CD player Mp3 no carro. Quem sabe no futuro eu não possa ampliar essa lista com outras?

Em outra oportunidade falo da trindade de Ronnie Von.

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